domingo, 23 de novembro de 2008

O SEXO DAS AVES

A observação dos cromossomas e os resultados dos cruzamentos mostram que nas aves o macho e a fêmea diferem por um par de cromossomas que é diferente segundo o sexo. Estes cromossomas são chamados heterocromossomas, ou cromossomas sexuais, e são designados por X e Y. O macho possui o par XX e a fêmea o par XY. Esta repartição é original, já que geralmente nos animais, particularmente nos homens, o macho possui XY e a fêmea XX. Esta diferença permite procurar qual é a função dos cromossomas sexuais no aparecimento do sexo.Aparecimento do sexo no homem, pesquisas recentes tem mostrado que o sexo no homem tem origem genética, porém sua realização é hormonal. O cromossoma Y é quem desempenha o principal papel.
Neste cromossoma há um gene, O SRY, que desencadeia a formação dos testículos. Estes produzem o hormônio masculino, a testosterona, que vai colocar em ação o aparelho genital masculino. Na ausência do cromossoma Y, por conseguinte na ausência de testosterona, aparecerá o aparelho genital feminino.
Isto é explicado pelo fato de que as glândulas genitais e o aparelho genital do embrião são indiferenciados, permitindo uma evolução em duas direções diferentes. A glândula genital, ou gônada, apresenta duas regiões. Uma periférica, a córtex, e outra central, a medular. Se a córtex se desenvolve, surgi´ra o testículo; se é a medular que se desenvolvem acontecerá o ovário. A testosterona estimula a córtex às despensas da medula.
Pode-se descobrir o sexo através de um teste, chamado de teste de Barr, nome de quem descobriu. Na fêmea constata-se que numa célula um só X é funcional, ficando o outro enrolado sobre si mesmo, para dar um ajuntamento visível ao microscópio. Este teste é realizado para se conhecer o sexo genético dos atletas; ele permite também conhecer-se anomalias genéticas. Existem indivíduos que possuem XY, XXX, XYX, XXXY etc. Tais indivíduos apresentam distúrbios importantes, geralmente acompanhados de retardo mental. A presença de Y acarreta um aspecto feminino. Uma inter-sexualidade é possível: dessa forma um indivíduo XXY tem os seios desenvolvidos, um psiquismo viril, porém é estéril. Um fato curioso de indivíduos tendo XY é que podem ter um aspecto feminino normal (1 caso para 50.000) e alguns masculinos (1 em 20.000) são XX. Eles são freqüentemente estéreis. Uma descoberta recente permitiu explicar estes casos. A equipe italiana do Dr. Giovanna Cemerino descobriu sobre um braço do cromossoma X, um gene DSS que em duplo exemplar inibe o gene SRY. Uma mutação pode acarretar dois genes DSS sobre o mesmo X (quer seja por duplicação, quer por “crossing-over”), dando a inibição de SRY e o aspecto feminino. Nos machos XX o gene SRY é passado sobre um dos X.

Aparecimento do seno nas aves

Nas aves o desenvolvimento do aparelho genital depende de hormônios femininos (foliculina-estrógenos) produzidos pelo ovário. Na sua ausência a gônada torna-se um testículo e o aparelho genital torna-se um aparelho genital feminino. Os estrógenos não aparecem se o indivíduo tem dois X. O cromossoma Y nas aves não tem nenhuma função conhecida e existem aves, como o periquito ondulado, que não o tem (CHROMOSOMA, t. 15 agosto de 1964). É bem provável que exista nas aves um gene portado pelo cromossoma X cuja função é de orientar a gônada no sentido masculino ou feminino. Quando esse gene está em um só exemplar a gônada torna-se um ovário e produz estrógenos. Quando ela está em duplo exemplar a gônada torna-se um testículo. Porém existem duas particularidades nas aves:
- A fêmea possue apenas um ovário. A gônada direita fica indiferenciada: ela é insensível aos estrógenos. O ovário esquerdo é, entretanto, funcional.
- Os estrógenos tem uma função inibidora. Esta função diz respeito à plumagem. Quando se extrai o ovário de uma galinha, na muda ela fica com a plumagem de galo. A melanogênese é igualmente freada e há na plumagem maior quantidade de marrom e menor de negro.
O hormônio masculino (testosterona) estimula o aparecimento de caracteres sexuais secundários do macho: órgãos eréteis (crista de galo, canto, agressividade).
Como no homem, a hipófise exerce controle sobre a atividade sexual. Sua função é sobretudo importante nas aves de plumagem escura, uma vez que ela provoca o aparecimento da plumagem nupcial. A glândula tireóide intervém estimulando a atividade das aves.

Mudança de sexo das aves

Acha-se que, com a idade, uma fêmea torna-se macho. Ela toma a plumagem e o comportamento de um macho e ela pode ser pai. Nela, o ovário esquerdo não funciona mais, porém a gônada direita torna-se um testículo. E a ação estimulante da hipófise que, na ausência de estrógenos, provocou seu desenvolvimento em testículo. Casos de masculinização foram observados no canário (uma fêmea teve filhotes, depois como macho), nas galinhas, faisões etc. A mudança de um macho em fêmea é muito rara. Pode ser devida a distúrbios hormonais ou ter origem patológica (vírus alterando o ovário etc). Vários casos foram observados nas aves em cativeiro, notadamente em Anatídeos. Muitos machos destas aves tem uma plumagem escura, semelhante à plumagem feminina, e uma plumagem nupcial. No Parque de Clères (França) Alain Hennache observou vários casos em patos velhos, que passaram a ter uma plumagem feminina. Neles o envelhecimento dos testículos ocasionou uma baixa de testosterona e a duração da plumagem escura tem aumentado. Até que, finalmente, não mais tem havido aparecimento da plumagem nupcial. Experiências feitas em machos de ignicolores (Euplectes franciscanus) mostraram que extratos hipofisários podem fazer reaparecer a plumagem nupcial. A passagem do tipo macho para o tipo fêmea pode assim ser devida a uma baixa de atividade hipofisária.

Observação: A mudança de sexo é referente à plumagem e não ao patrimônio genético. Conseqüentemente uma fêmea que se torna macho é sempre XY, ela dará com uma verdadeira fêmea (XY) duas vezes mais fêmeas do que machos. Um macho (XX) que se torna fêmea poderá dar nascimento apenas a machos.

Preponderância de machos ou de fęmeas

Alguns criadores assinala que determinados princípios influenciam no número de machos e fęmeas a nascer entre os filhotes decorrente de fatos que apontam:

1) Um macho jovem acasalado com fęmea reprodutora dará mais machos do que fęmeas portadoras em maior quantidade das características do pai

2) Acasalando macho e fęmea adultos, de idades aproximadas, dará mais ou menos igualdade de sexo, com as características de ambos genitores.

3) Macho reprodutor acasalado com fęmea jovem dará mais fęmeas do que machos, ambos portadores das características da măe.

4) Ambos jovens, darăo equilíbrio de sexo, portadores das características dos avós.

O fator idade merece consideraçăo, sobretudo tendo-se em vista a prole. A utilizaçăo temporă dos filhotes e acasalar prematuramente poderá acarretar conseqüęncias prejudiciais. Por isso, repetimos que o acasalamento ideal entre filhotes é com a idade de um ano mais ou menos.

As fęmeas normalmente reproduzem até 4 anos de idade. Os machos poupados podem ser bons reprodutores até 5 ou 6 anos. Ambos, após essa idade, entram em declínio. A maturidade entre as fęmeas torna-se más poedeiras, infencudadas e perdem afeto maternal.

DICAS PARA DETERMINAÇÃO DO SEXO EM CANÁRIOS

Este é um dos problemas que criam diversos embaraços aos criadores, quer seja na hora de comprar um determinado pássaro, vender ou planejar a criação. Vamos enumerar diversas sugestões para a determinação do sexo de canários:
1 - Os machos cantam e as fêmeas raramente o fazem.
2 - Nos canários da linha escura, as fêmeas apresentam nas costas, um manto mais marrom (feomelanina) que os machos.
3 - Pela cor dos pais pode se chegar a cor dos filhotes conforme tabela; onde se o pai for homozigoto, ou seja, não portar nenhuma cor, todas os suas filhas terão cor idêntica à do Pai. Esta tabela foi feita a partir de canários com a cor de fundo amarela.
4 - Canários de cor mosaico que apresentam características sexo dimorfas entre os machos e as fêmeas: os machos apresentam máscara facial bem definidas, maior que as das fêmeas. Também mais cor no peito e dorso.
5 - Vários criadores alegam que pela forma do ovo pode-se determinar os sexo do filhote onde os ovos mais ponteagudos são machos e os mais arredondados são fêmeas.
6 - Terminado o período de muda, podemos definir o sexo pelas características cloacais. Colocando-se o pássaro no palmo da mão, com o ventre para cima veremos conforme o desenho abaixo: o macho apresenta o órgão genital em formo de pequeno gancho, enquanto as fêmeas ficam inchadas como se o ovo fosse sair. Também, nas fêmeas, as penas que circundam, a cloaca tem aparência de leque, enquanto os machos tem a forma de tufo ou espanador, conforme ilustração abaixo.

FENOTIPO DOS FILHOTES

PAI

MÃE

MACHOS

FÊMEAS

Isabel

Verde

Verde

Isabel

Isabel

Ágata

Ágata

Isabel

Isabel

Canela

Canela

Isabel

Canela

Ágata

Verde

Canela

Canela

Verde

Verde

Canela

Ágata

Verde

Verde

Ágata

Ágata

Canela

Verde

Ágata

Acetinado

Normal

Normal

Acetinado

Marfim

Normal

Normal

Marfim

Pastel

Normal

Normal

Pastel


AS PENAS

A característica mais importante das aves são as penas, que além de exercerem várias funções fundamentais, ocorrem apenas nessa classe de animais.
A base do eixo da pena, é cilíndrica e transparente, é chamada cálamo ou canhão. O cálamo comunica-se com a pele através de um orifício. O umbigo inferior. A raque é o prolongamento do cálamo; separa-os um segundo orifício, mais estreito, denominado umbigo superior. Em algumas penas existe uma raque secundária chamada hipóptilo ou hiporoque. A raque é opaca e vai afinando do cálamo em direção à ponta. As lâminas laterais da pena são as vexilas. Partindo da raque há uma sucessão de finas ramificações, as barbas, que por sua vez, são providas de ramificações menores, as barbicelas ou bárbulas. As barbicelas anteriores possuem inúmeros ganchinhos, ou hámulos, que se prendem às barbicelas da barba vizinha. É por isso que a pena está sempre unida; caso se desarrume, ela recupera a forma muito facilmente.
As penas são constituídas de ceratina, o mesmo material das escamas dos répteis, das nossas unhas, do bico das aves etc. Seu processo de formação inicia-se com um engrossamento da pele; ali se cria um folículo, que cresce e, depois de algum tempo, rompe-se para que ocorra o surgimento da pena.
Durante seu desenvolvimento, a pena é alimentada através do umbigo inferior e seu eixo enche-se de sangue; quando atinge o tamanho definitivo, suas papilas dérmicas se retraem e ela se torna uma estrutura morta e vazia.
O conjunto de penas de uma ave forma a plumagem. As penas que dão o formato ao corpo são chamadas penas de contorno: incluem as penas do corpo, as coberteiras e as penas de vôo, rêmiges e retrizes.
A penugem, que geralmente não fica visível, cobre o corpo como uma subplumagem e tem a função de mantê-lo aquecido; é a plumagem lanosa. Na penugem, o eixo é muito curto, na realidade limita-se quase só ao cálamo, do qual partem numerosas barbas. A penugem é que protege os filhotes nos seus primeiros dias de vida.
Quando a pena não tem ganchos ou barbicelas, as barbas ficam soltas e tufadas. Essas penas são chamadas plumas. Em algumas penas, as barbicelas só possuem ganchos na extremidade superior, que se mantém entrelaçada e unida, enquanto a parte inferior fica leve e solta. Essas penas são chamadas semiplumas.
Algumas espécies de aves possuem penas com funções específicas, com as penas de adorno e as penas sonoras. A penugem de algumas espécies, como os Psitacídeos, por exemplo, especialmente o Papagaio-moleiro, a Amazona-farinosa e várias cacatuas, têm a característica especial de se desintegrar nas pontas em partículas finíssimas: as pulviplumas. No Papagaio-moleiro, tem-se até a impressão de que a plumagem está empoeirada.
A função mais importante da pena, e sua função original é garantir o isolamento térmico da ave; as penas de vôo e as colorações são evoluções posteriores.
Os pingüins são, talvez, o melhor exemplo da capacidade de isolamento térmico da pena. O pingüin-imperador (Aptenodyles forsteri) vive e se reproduz na região mais fria da Terra: o continente Antártico. Essas aves não constroem ninhos; o único ovo é chocado pelo macho, que o coloca sobre as patas e depois o envolve com a pele emplumada do abdome, equipado com uma prega pendente para essa finalidade. Assim, o ovo fica protegido do gelo, da neve e dos ventos gelados.
Nos pingüins, as penas nascem uniformemente por todo o corpo. Na grande maioria das aves, as penas nascem apenas em algumas regiões da pele, as pterilas, separadas umas das outras por regiões implumes, os aptérios. Os aptérios são protegidos pelas penas das pterilas adjacentes. O ar retido nos espaços entre a plumagem forma um revestimento isolante. É por isso que as aves costumam eriçar as penas nos dias frios; trata-se simplesmente de uma maneira de aumentar o espaço onde o ar fica retido, o que lhes proporciona maior proteção. Também quando estão doentes, as aves costumam eriçar as penas dessa maneira.
Quando completamente eriçadas, porém, as penas não têm como reter o ar, assim o isolamento se reduz. O pássaro eriça as penas por completo quando está sentindo calor e quando toma banho, especialmente de sol.
É para aumentar a capacidade de isolamento das penas que, nos lugares frios, durante o inverno, as penas ficam numerosas.
Muitas vezes as penas funcionam como sinais, tanto para atrair como para amedrontar e expulsar. Quando um macho eriça a plumagem, isso é um convite para a fêmea, mas o mesmo sinal, às vezes com pequenas modificações, é usado para ameaçar um rival.
Em qualquer circunstância, a cor da plumagem tem papel relevante, acima de tudo por identificar a espécie e, em alguns casos, porque indica o sexo da ave.
A enorme variação de cores das aves ;e decorrente de um processo químico, envolvendo pigmentos, e/ou de processos estruturais. As cores químicas resultam, quase sempre, de dois grupos de pigmentos: carotenóides e melaninas.
O vermelho, o laranja e o amarelo são produzidos por carotenóides proveniente da alimentação.
O preto, o marrom e o cinza devem-se às melaninas; a ocorrência de uma ou outra dessas cores depende da disposição, do formato e do tamanho dos grânulos, local onde se armazenam os pigmentos na pena. As melaninas são sintetizadas por enzimas a partir de aminoácidos.
O azul é uma cor estrutural; essa cor resulta da reflexão por dispersão da luz nas estruturas das barbas de determinadas penas, que possuem uma pigmentação melânica que absorve todas as luzes e reflete apenas o azul (efeito denominado azul de Tyndall). Interferem nessa reflexão os espaços de ar nas barbas, a disposição da melanina nas penas e o tipo de melanina presente, verificando-se variações que vão do azul-claro ao violeta.
O branco ocorre nas penas inteiramente despigmentadas, ou seja, que não têm nem carotenóides nem melaninas.
O verde é a combinação do azul de Tyndall com carotenóides amarelos. Em todas as espécies até hoje estudadas, só os turacos apresentam uma coloração verde, resultante de pigmentos químicos.
É fácil observar como se manifesta o efeito do azul de Tyndall nos papagaios e na Arara-Azul; quando suas penas se molham, sua estrutura se modifica e elas passam a não refletir corretamente o azul. Como resultado, as cores dessas aves ficam inteiramente alteradas, só voltando ao normal quando as penas secam.
As cores indecentes, que tanto nos encantam nos beija-flores, por exemplo, resultam da decomposição e da reflexão da luz, tal como numa gota de água ou de óleo, em estruturas especiais das barbicelas.Assim, conforme o ângulo de incidência da luz, determinadas regiões da plumagem do beija-flor adquirem cores maravilhosas, metálicas.
A coloração também depende, por fim, de uma absorção seletiva da luz. As cores percebidas por nossos olhos são a parte da luz que não foi absorvida e que, portanto, se reflete ou se difunde. O preto, por exemplo, absorve totalmente a luz; o cinza, apenas alguns comprimentos de onda; e o branco nada absorve, refletindo toda a luz. As outras cores resultam da absorção seletiva em diferentes comprimentos de onda.
A evolução adaptou inteiramente as aves para o vôo. Seu sistema respiratório é especial e único; seu esqueleto modificou-se para que ficassem mais leves e seu corpo mais rígido; o sangue quente, um sistema circulatório especialmente eficaz, o metabolismo rápido, tudo isso permite que as aves façam o melhor aproveitamento possível da enorme energia necessária para voar. E a pena, tão importante para o vôo, é biologicamente uma estrutura morta que, quando completamente desenvolvida, não precisa ser irrigada com sangue e, se danificada, é substituída de imediato.
As aves voam batendo as asas. Esse movimento é obtido porque elas têm poderosos músculos peitorais presos à quilha do esterno. Um conjunto de músculos maiores abaixa as asas, e outro, de músculos menores, levanta-as. Nos beija-flores, particularmente, esses músculos são muito desenvolvidos; nessas aves, os músculos que levantam as asas são quase do mesmo tamanho dos que as abaixam.
As penas de vôo, cuja estrutura é mantida coesa graças a milhares de ganchos, fazem a asa deslocar uma grande quantidade de ar. Para levantar vôo, o pássaro basicamente solta e bate as asas bem depressa; ao abaixa-las, desloca uma grande quantidade de ar para baixo, e, ao levanta-las, posiciona-as de modo a impulsionar uma quantidade muito menor de ar para cima. Quando quer voar para frente, o pássaro levanta as asas e abaixa-as em ângulos diferentes; assim, ao abaixa-las desloca ar para baixo e para trás e, ao levanta-las, desloca ar para cima e para trás. O ar deslocado para cima é neutralizado pelo ar deslocado para baixo, e, dessa maneira, tanto ao levantar como ao abaixar as asas, impulsiona ar para trás.
O esqueleto da asa é muito semelhante ao do braço humano. Inclui braço, antebraço e mão, esta, alongada e com três dedos. As penas primárias predem-se à mão; as secundárias ao antebraço.
As grandes penas primárias, de importância fundamental para o vôo, são em número de nove ou dez, na maioria dos pássaros. As secundárias vão de seis, num beija-flor, até mais de trinta, num albatroz. As penas primárias são contadas de dentro para fora e as secundárias de fora para dentro.
Diferentes formatos de asa possibilitam diferentes tipos de vôo. Assim, asas pequenas e arredondadas permitem maior número de manobras: o pássaro pode realizar desvios muito rápidos, por exemplo, quando voa em uma mata. Permitem, ale’m disso, decolagens rápidas nos momentos de perigo. Isso é realizado, porém, com grande dispêndio de energia, pois a ave é obrigada a bater as asas continuamente.
Com suas asas estreitas e compridas, os albatrozes são capazes de planar e deslocar-se em alta velocidade.
O falcão tem asas afiladas, que num mergulho são apontadas para trás, aumentando a velocidade do vôo.
As asas largas e retangulares dão maior sustentação à ave, que pode planar lentamente e durante muito tempo.
As espécies menores de beija-flores, graças a seus poderosos músculos peitorais, chegam a bater as asas oitenta vezes por segundo. A cada bater de asas, as primárias fazem um movimento helicoidal (em forma de oito) para a frente, para trás e para baixo, e o corpo se mantém numa posição quase vertical. É assim que os beija-flores pairam no mesmo lugar ou se movimentam tanto para a frente como para trás.
A forma da asa do beija-flor é muito importante para esse movimento. As mãos são bem grandes e os braços e antebraços muito curtos, razão pela qual as penas secundárias são pouco numerosas.
As penas da cauda têm a função de dar direção ao vôo, por isso às vezes são chamadas de timoreiras. Seu número e formato são bastante variáveis. Vêem-se caudas quadradas, arredondadas, bifurcadas, quando as penas centrais são mais curtas que as laterais, e cuneiformes, quando as centrais são maiores, como na Arara.
Embora sejam muito resistentes, com o tempo as penas começam a se desgastar e acabam sendo substituídas.
A muda é um processo normal da vida dos pássaros, diretamente relacionado a fatores biológicos associados aos hormônios produzidos pela tireóide.
Quase sempre a época da muda é o período posterior à reprodução, portanto antes do inverno. O tempo de muda varia, dependendo de diversos fatores, mas, em geral, quanto maior a ave, mais rápida a muda. Algumas espécies têm duas mudas por ano, uma pré-nupcial e outra completo, depois da reprodução.
No período de muda, as aves não perdem todas as penas ao mesmo tempo, mantendo sempre uma quantidade razoável de penas no corpo para protege-las do frio e possibilitar o vôo. Uma exceção, nesse aspecto, são os patos, que perdem as penas em blocos e ficam impedidos de voar.
Em geral a muda começa pelas asas, onde as penas primárias são trocadas na seqüência de dentro para fora, na mesma ordem que são numeradas, e as secundárias de fora para dentro. Essa ordem pode variar, com a muda ocorrendo nos dois sentidos ou na ordem contrária à mencionada acima.
O processo de muda é simultâneo nas duas asas. Na cauda, as penas são trocadas do centro para as extremidades, e no corpo, da parte traseira em direção à cabeça. Note-se que essa seqüência não é comum a todas as aves. Além disso, as penas não nascem apenas na época da muda: se um pássaro perde uma pena, ela é imediatamente reposta.
Como a muda exige dos pássaros uma certa dose de energia, sua resistência, nessa época, diminui, por isso convém dar-lhes uma boa alimentação e toda a proteção possível contra o frio e, principalmente, as correntes de ar (evitando-se, porém, cobrir as gaiolas por inteiro).
Algumas aves, como as rolinhas, têm uma plumagem muito “fraca”; com freqüência algumas penas se soltam durante o manuseio.
A maioria dos filhotes nasce praticamente pelada, coberta somente por uma finíssima plumagem. Pouco a pouco, porém, começam a nascer as penas; quando o filhote sai do ninho está quase totalmente empenado, tendo condições de começar a ensaiar os primeiros vôos.
Quase todos os pássaros fazem a muda para a plumagem adulta com um ano de idade. Antes disso passam por uma primeira troca de penas aos três ou quatro meses de vida. Nessa primeira muda aparecem algumas das características da ave adulta; em nossos pintassilgos, por exemplo, aparecem as primeiras pintas na cabeça do macho (isso ocorre, de maneira geral, com os Estridídeos).
Em algumas espécies, por exemplo os caboclinhos (com exceção do Caboclinho-do-amazonas e tizius), durante a muda posterior à época de reprodução, os machos perdem sua coloração típica, ficando semelhante às fêmeas.
Em cativeiro, e talvez na natureza, não ocorre necessariamente uma nova muda pré-nupcial, e os pássaros mantém essa plumagem mesmo durante a época da reprodução. Quando ocorre uma muda pré-nupcial, nem sempre os machos voltam a apresentar a coloração perfeita típica da espécie na plumagem.
Um fato interessante ocorre com o saí-beija-flor macho: depois da época de reprodução, essa ave muda as penas e perde sua coloração azul, ficando verde como a fêmea. Antes da próxima época de reprodução, volta a ficar completamente azul, só que dessa vez não muda as penas, como se observa facilmente quando está em cativeiro. Aparentemente, o que ocorre é que a pena é verde em sua extremidade superior e azul na base. Assim, quando a ponta verde se desgasta, surge o azul. Em um viveiro bem arborizado, decorrem 45 dias desde o aparecimento da primeira pena azul até que a ave fique totalmente azul. A muda (quando as penas azuis são substituídas por outras verdes) é bem mais rápida, levando em média três semanas.

A MUDA NOS PÁSSAROS ADULTOS

Embora sejam muito resistentes, as penas com o tempo começam a perder o brilho e desgastarem-se, precisando serem trocadas.

Trata-se de um processo normal na vida das aves, relacionado a fatores biológicos ligados aos hormônios produzidos pela tireóide.

A muda ocorre todos os anos e inicia-se após a época de cria, (não se deve permitir que se estenda demasiadamente a procriação pois irá prejudicar a época ideal para a muda - verão). Se o pássaro foi bem alimentado irá mudar suas penas facilmente e não passará de 6 a 8 semanas. Nesta época a ave pode perder boa parte das penas ao mesmo tempo, mantendo, entretanto, uma razoável quantidade para proteger o corpo e voar.

Se a temperatura estiver elevada, bastante quente, isso irá antecipar a muda do canário, por outro lado, terminará mais cedo. Em climas moderado e fresco, ela atrasa um pouco.

É recomendado fornecer ao pássaro uma dieta correta para esta ocasião. Uma alimentação rica em cálcio (osso de ciba), casca de ovo, vegetais, mistura de grãos com maior quantidade de óleo e farinhada com ovo. A água de beber será trocada diariamente e poderá acrescentar algumas gotas de complexos vitamínicos que contenha ferro.

Nos adultos a troca de penas do rabo, das asas, e demais penas inicia-se do centro para as extremidades. A muda das penas das asas ocorre simultaneamente em ambas e aos pares, no corpo ocorre a muda quase por inteiro, terminando na cabeça.

As penas caem naturalmente e devagar sendo que quase nem se percebe que o pássaro está na muda; se o pássaro voar com dificuldades, começar a aparecer a pele, isto não é normal para a época de muda e pode ter sido causado pela má alimentação ou outras causas, não pela muda.

Banhos de sol pela manhã (8 às 9 horas) ajudam bastante na muda. Mantenha a higiene das gaiolas, evite que o pássaro fique em correntes de ar e forneça banheiras com água limpa para banhos.

A MUDA NOS FILHOTES

Os filhotes nascem pelados com uma finíssima plumagem, e aos poucos vão aparecendo as penas e quando saem do ninho já estão empenados por inteiro. Os filhotes também mudam de pena em torno do terceiro ao quarto mês de vida, o que chamamos de muda de ninho. Mudam somente as penas do peito e da cabeça, pois as penas das asas e do rabo só mudarão no próximo ano.

MUDAS PRECOCES

As mudas precoces são consideradas aquelas em que as penas são trocadas fora de sua época normal.
Bruscas mudanças de ambiente, temperaturas muito elevadas, sustos anormais, luzes que acordam as aves durante o seu sono, entre outros fatores, são causadores de uma muda precoce.
Um pássaro que entra em muda precoce é um pássaro triste e sempre estará encorujado. Ele não cantará. Teremos que aguardar, com paciência, o término do processo. Isto poderá atrasar o "apronto" da ave para a reprodução.

Devemos trata-lo muito bem, administrando algumas vitaminas e evitando ao máximo incomoda-lo.

estruturas das penas para acasalamento

ACASALAMENTO X ESTRUTURA DE PENAS

Um dos fatores mais importantes no acasalamento entre canários, nem sempre levado em consideração, é sua estrutura de penas. A não consideração deste ítem pode ocasionar resultados insatisfatórios quanto à plumagem dos filhotes, e em casos mais graves, contribuir para os indesejáveis quistos de penas. Para entender melhor como tratar este problema durante o acasalamento, vamos discutir alguns aspectos envolvidos com a plumagem dos canários.

A estrutura de pena pode variar quanto à forma, quanto à textura e quanto ao comprimento.

Segundo estes aspectos, de uma forma geral, classificamos as penas dos canários em:


Tectrizes, Rêmiges e Retrizes

Tectrizes: são as plumas de cobertura. São fofas e recobrem todo o canário.

Rêmiges: são as penas longas e mais duras das asas.

Retrizes: são as penas também mais duras e longas formadoras da cauda.

O lipocromo se deposita sobre as tectrizes, e sua repartição define a categoria dos canários. Sua distribuição nas penas é mostrada nos desenhos abaixo:

Annie Filleui em seu livro "MANUEL TECHNIQUE DES CANARIS COULEURS" classifica as estruturas em 10 categorias, da mais curta (nro 1) para a mais longa (nro 10).



CATEGORIA DE PENAS QUANTO À ESTRUTURA

<= PENAS CURTAS PENAS LONGAS =>

INTENSOS 1 3 6

NEVADOS 2 4 5 7 8 9

MOSAICOS 7 9 10

Categorias nro 1 e 3 => Canários INTENSOS normais

Categoria nro 2 => Canários NEVADOS de nevadismo CURTO

Categorias nro 4, 5 e 7 => Canários NEVADOS normais

Categoria nro 6 => Canários INTENSOS de pena LONGA

Categorias nro 8 e 9 => Canários NEVADOS de nevadismo e pena MUITO LONGA

Categoria nro 7, 9 e 10 => Canários MOSAICOS de pena LONGA

O acasalamento entre os canários deve sempre levar em conta a estrutura de penas, procurando-se acasalar canários de penas LONGAS com canários de penas CURTAS, tentando sempre compensar as estruturas, de modo a se obter como resultado do acasalamento, filhotes com penas classificadas na escala intermediária, com plumagem bem ajustada a seu corpo.

No caso de acasalamento entre canários INTENSOS e NEVADOS, recomendado pela literatura técnica, a própria estrutura de penas dos canários INTENSOS e NEVADOS leva ao ajustamento da plumagem.

Assim a plumagem dos filhotes resultantes tenderá naturalmente para o meio da escala. Isto porque, de modo geral, os canários INTENSOS tem pena CURTA e os NEVADOS tem pena LONGA.

Problemas acontecem quando estamos acasalando canários de fundo BRANCO ou BRANCO DOMINANTE e MOSAICOS.

Nestas situações, grande parte dos criadores, especialmente os iniciantes, não levam em conta a estrutura de penas, e o que é pior, tendem a acasalar os de penas mais longas entre si. Como resultado, temos canários de empenação longa, fofos, com defeitos causados por excesso de plumagem nos flancos e, o mais grave, com tendência forte à formação de quistos. Nestes acasalamentos, quando a identificação não é fácil como entre INTENSOS e NEVADOS, há necessidade de maior atenção.

Deve-se observar a plumagem dos pássaros buscando obter os pares certos, equilibrando-se assim a plumagem dos filhotes que resultarão do casal.

A não consideração do equilíbrio entre as estruturas de penas é uma das grandes causas da incidência de quistos entre canários BRANCOS, BRANCOS DOMINANTES e MOSAICOS. Uma atenção especial no acasalamento destas cores, certamente resultara em menor incidência deste problema.

VELOCIDADE DE CRESCIMENTO DA CAUDA EM CANÁRIOS

Sabe-se que o comprimento da cauda de um pássaro destinado a competição é um elemento que interfere no julgamento, agindo diretamente sobre seu tamanho e conseqüentemente sobre sua harmonia. Em algumas raças de porte grande (Lancashire, Parisiense etc), quando acima do normal representa um aspecto positivo, pois dá ao pássaro um maior tamanho. Em raças de menor porte (Gloster, Fife, Espanhola, etc), bem como em canários mais compactos (Border, Norwich, etc), quando pequenas dão maior graciosidade e equilíbrio a sua corporiedade.

Danificações na cauda, do tipo picoteamento ou mesmo arrancamento total são comuns no período de crescimento e desenvolvimento dos filhotes, apesar da utilização de diversos procedimentos preventivos.
Danificações ou ausência de quatro ou mais penas desclassificam o pássaro, e no caso a substituição por novas penas torna-se necessário, É comum o arrancamento intencional de penas da cauda em raças onde busca-se aumentar o tamanho dos pássaros, pois observa-se que o comprimento das novas penas aumentam, porém em raças de pequeno porte esta condição não é desejável, podendo fazer a diferença entre o sucesso e o fracasso.
Partindo do pressuposto da necessidade do arrancamento das penas, faz-se o seguinte questionamento:

Qual o momento adequado que antecede o julgamento para que as penas sejam arrancadas afim de que se apresentem com um tamanho satisfatório nesta ocasião?

Qual a velocidade de crescimento e o referido tamanho máximo aumentado?

METODOLOGIAE DADOS:

Afim de responder as questões formuladas foram utilizados 6 pássaros (Fiorino e Gloster) com a muda completa e supostamente com a cauda em tamanho limite. Após a extração de todas as penas, a cada 5 dias, a maior pena em tamanho foi retirada e medida em toda sua extensão, procedimento adotado até o momento em que deixassem de crescer. Os dados obtidos no experimento encontram-se na tabela abaixo:

CONCLUSÕES:

Os pássaros escolhidos apresentaram uma amplitude de 0,9cm entre a menor e maior cauda, o que permite-se afirmar que a amostragem foi caracterizada pela diversidade do tamanho.

Outro ponto observado é que o crescimento não é proporcional à passagem do tempo, ocorrendo uma velocidade maior até o 20° dia, decaindo exponencialmente até o 35° Dia (valor médio máximo), não alterando-se por ocasião da medição obtida no 40° dia, quando o experimento foi encerrado.

Ao final do 5° dia as penas não haviam aflorado, e por ocasião do 10° dia observou-se canudos ainda encobertos pelas asas; no 15° dia já podiam ser avistadas no prolongamento das pontas das asas.

No 20° dia apresentaram em média 1,3 cm menores que o tamanho inicial, porém ligeiramente abertas em suas extremidades, não harmônicas com o conjunto.

No 25° dia apresentaram valor próximo do tamanho inicial, visualmente interessantes, dando aos pássaros uma corporeidade compacta e harmônica.

No 30° dia, foi obtida uma média de 0,5 cm superior à média inicial, estabilizando-se a partir do 35° dia, com acréscimo médio de 0,8cm em relação ao início.

Indivíduo Tamanho
inicial (cm)
5° dia
(cm)
10° dia
(cm)
15° dia
(cm)
20° dia
(cm)
25° dia
(cm)
30° dia
(cm)
35° dia
(cm)
40° dia
(cm)
01 6,3 - 1,5 3,4 4,4 5,7 6,4 7,0 7,0
02 6,3 - 1,7 3,8 5,2 6,25 6,8 6,9 6,9
03 6,8 - 2,0 3,7 5,3 6,6 6,9 7,1 7,1
04 6,3 - 1,8 3,5 5,2 6,1 6,7 7,0 7,0
05 6,0 - 1,5 3,1 5,1 6,0 6,9 7,0 7,3
06 5,9 - 1,7 3,6 4,7 6,1 7,0 7,4 7,3
X 6,3 - 1,7 3,5 5,0 6,1 6,8 7,1 7,1

VITAMINAS

Existe uma preocupação dos criadores, em proporcionar a seus canários uma alimentação baseada em vitaminas, e alguns criadores procuram um remédio que proporciona uma prole saudável e um elevado número de filhotes.

Vitamina A: Essencialmente para o crescimento da ave atua sobre a audição e o equilíbrio da ave e visão.
Indicações: Nas hipovitaminoses e suas manifestações.
A Carência da vitamina A pode ocasionar: afecções oculares: conjutivos, querato conjuntivos. Cegueira noturna em caninos e felinos.
Aves: o sintoma de deficiência da vitamina a é crescimento retardado. Nas reprodutoras ocorre diminuição na produção de ovos.
Modo de Usar: 1g a 3g por Kg de ração.
Encontra-se nas verduras, na casca de maçã, cenoura gema de ovo e no óleo de fígado de bacalhau.

Vitamina B: Atua no sistema nervoso, previne doenças do fígado, rins e coração.

Encontra-se na levedura de cerveja, trigo, cascas das sementes, verduras, gema de ovo, tomate.

Vitamina B1: Atua no desenvolvimento muscular, sistema nervoso, postura e desenvolvimento do embrião.
Indicações: Polineurites e inapetência em caninos e felinos.
A carência da vitamina B1 pode ocasionar: transtornos gastrointestinais em caninos e felinos.
Aves: a deficiência de vitamina B1 traz desordens nervosas em aves jovens ou adultas, culminando em uma paralisia característica chamada polineurite.
Modo de Usar: 1g a 3g por Kg de ração.
Encontra-se na maçã, gema de ovo.

Vitamina B2: Atua nos ovos, dando maior fertilidade, crescimento dos filhotes e sistema nervoso, a falta pode causar raquitismo e o peso baixo.
Indicações: Auxilia nas convalescenças, atraso de crescimento, algias e alterações neuromusculares.
Aves: a deficiência da vitamina B2 causa baixa eclosào e embriões com dedos torcidos e deformados.
Modo de Usar: 1g por Kg de ração a 2g por 10Kg de ração.
Encontra-se no alpiste, gema de ovo, leite, óleo de fígado de bacalhau.

Vitamina B3: Fortifica e mantem a textura da pela.

Encontra-se na gema de ovo e nas sementes.

Vitamina B6: Atua sobre o fígado, sistema nervoso, crescimento e a pele.
Indicações: Auxilia o crescimento e a reprodução. Melhora o apetite.
Aves: a deficiência da vitamina B6 ocasiona movimentos desordenados, seguidos de convulsões, exaustão e morte.
Modo de Usar: 1g por Kg de ração a 2g por 5Kg de ração.
Encontra-se nos cereais, almerião e gema de ovo.

Vitamina B12: Necessária no crescimento e nascimento dos filhotes.
Indicações: Nas anemias macorcíticas e nas produzids por hemorragias e atos cirúgicos. Utilizada no tratamento de doenças anemiantes. Revitalizador das forças durante o crescimento, convalescenças e nas perdas de peso e apetite.
Aves: a vitamina B12 é essencial para as aves jovens e também aves reprodutoras.
Modo de Usar: 1g por Kg de ração a 3g por 10Kg de ração.
Encontra-se nos complexos vitaminicos como: farinha de peixe, complexo B, Vitamina A, Daiamineral, Gerval em pó e Terragran.

Vitamina C: Previne das enfermidades infecciosas no aparelho respiratório.
Indicações: Nas hipovitaminoses provocadas por defeitos da síntese ou absorção desta vitamina. Aumenta as defesas orgânicas nas convalescenças de doenças infecciosas, hemorrágicas e febris.
Aves: utilizada na prevenção e tratamento do estresse, viagens e mudanças de alojamento.
Modo de Usar: 0,5 por Kg de ração a 2g por 10Kg de ração.
Encontra-se nas frutas frescas, alimento verde.

Vitamina D: Atua na boa formação ossea, combate o raquitismo.
Indicações: No tratamento do raquitismo e osteomálacea. Regula a fixação de cálcio e fósforo nas consolidações de fraturas e diastrofia óssea. Nos períodos de crescimento e lactação.
Aves: a deficiência da vitamina D3 ocasionará cascas finas e quebradiças nos ovos ou memos paraliação da postura.
Modo de Usar: 1 a 2g por Kg de ração.
Encontra-se na natureza através dos raios solares, no óleo de fígado de bacalhau, gema de ovo e verduras.

Vitamina E: Atua na reprodução, ajudando numa boa fecundação dos ovos.
Indicações: Para restabelecer os níveis de vitamina E.
A carência da vitamina E pode ocasionar: azoospermia e necrospermia nos machos; infertilidade, abortos e esterilidade nas fêmeas.
Aves: a vitamina E é indicada para o melhor sucesso das reprodutoras e eficiências na eclosão.
Modo de Usar: 1g por Kg de ração a 2g por 10Kg de ração.
Encontra-se no óleo de germe de trigo, gema de ovo e verduras.

Vitamina H:
Indicações: Dermatite, atraso no crescimento, anorexia.
Aves: a deficiência da biotina (vitamina H) ocasiona dermatite. A base dos pés fica áspera, calosa e se arrebentam, formando hemorragias.
Modo de Usar: 2g por Kg de ração a 2g por 5Kg de ração.

Vitamina K:
Indicações: Anti-hemorrágico e diminuidor do tempo de coagulação do sangue. Como acelerador da protrombina do sangue. Uilizada nas fases prés o pós cirúrgicas.
Aves: aumenta a resistência a hemorragias e diminui o tempo de cicatrização.
Modo de Usar: 1g por Kg de ração a 3g por 10Kg de ração.

Cálcio: Um forte componente para a formação e reforço do esqueleto, e do aparelho reprodutor das fêmeas.

Emcontra-se no osso moído, farinha de ostra e nos ossos de peixe.

Cobalto e cobre: São minerais que atuam como catalizadores no organismo das aves, deve ser empregados junto com as vitaminas.

Cloreto de sódio: Possibilita aos glóbulos vermelhos sua função de portadores de oxigênio e permiti a dupla decomposição mediante a qual o organismo separa os sais de potássio.

INTOXICAÇÕES

O uso indiscriminado de medicamentos figura como uma das principais causas de intoxicação nas aves. Isso acontece com muita freqüência pois os criadores administram às aves os mais variados medicamentos que são encontrados com facilidade nas lojas especializadas em produtos veterinários. Os antibióticos são utilizados para melhorar o crescimento, aumentar o ganho de peso e evitar as infecções; as sulfas também são usadas de modo abusivo quando os animais apresentam qualquer problema de saúde; as perturbações decorrentes da dosagem inadequada destes medicamentos podem ser aobservadas, por exemplo, através da resistência que os microorganismos vem adquirindo aos antibióticos; as intoxicações causadas pelo uso das sulmanidas em doses excessivas e por longos períodos se constituem em outro exemplo de ação danosa de um medicamento sobre o organismo da ave.

Os medicamentos que mais comumente causam intoxicações nas aves quando não são respeitadas as especificações fornecidas pelo fabricante são: as SULFAS que em altas doses causam a síndrome hemorrágica. A sulfaquinoxalina é o principal responsável por esta enfermidade que se caracteriza por hemorragias na musculatura, nos órgãos internos e também por alterações na medula óssea. A síndrome hemorrágica pode Ter outras causas além das intoxicações pelas sulfamidas. Entre elas temos: o uso inadequado de certas coccidiostáticos, a deficiência de vitamina K e as nefrotoxicoses.

Os NITROSURANOS que em excesso provocam sonolência, abatimento, excitação, paralisia e morte.

O AMPROLIUM, usado no combate à coccidiose quando administrado durante longo tempo ou em proporções erradas determina o aparecimento de sintomas característicos de avitaminose B1. Ele atua inibindo a produção desta vitamina ao nível do intestino da ave. Aliás a inibição por parte dos medicamentos anticoccidianos de certos nutrientes indispensáveis às aves se explica, pois para que haja o desenvolvimento da Eimeria, há também a necessidade de algumas vitaminas, e os medicamentos atuam bloqueando a utilização das mesmas.

Os antibióticos são nocivos não só pelos fenômenos tóxicos que causam aos animais, mas também pela resistência que as bactérias vem adquirindo a estes medicamentos. Ultimamente temos notado que é bastante comum isolarmos de aves doentes. Staphylococcus, Streptococcus, Escherichia coli, Pseudomonas, etc., que se mostram altamente resistentes aos antibióticos de uso veterinário.

A via de administração do medicamento e a dosagem correta são fatores de importância no sucesso de um tratamento. Assim, por exemplo, a ESTREPTOMICINA pode causar a morte quando administrada por via parenteal; o CLORANFENICOL pode causar lesões na medula óssea se for usado durante períodos muito longos; a TIROTRICINA não deve ser usada por via parenteal, porém é bem tolerada para uso tópico.

As substâncias tóxicas podem ser absorvidas pelo trato digestivo, pela pele e pelas vias respiratórias. Algumas delas são totalmente metabolizadas, sendo o fígado, o órgão mais importante neste metabolismo. A eliminação destas substâncias se dá pelos rins, fezes e bile.

Uma série de fatores afetam os fenômenos da intoxicação. A dosagem do medicamento que é administrado ao animal, a tolerância de cada indivíduo ao medicamento usado e até mesmo as diferenças de sexo, idade e porte, provocam reações variadas de ave para ave.

O diagnóstico das intoxicações não é muito fácil, pois na maioria dos casos as manifestações clínicas não são muito típicas e as lesões encontradas se assemelham com aqueleas encontradas em outras enfermidades. O exame histopatológico confirma o diagnóstico.

INTOXICAÇÃO POR INSETICIDAS

As aves estão sujeitas a diversas ectoparasitose, e para combatê-las usamos os inseticidas que podem ser perigosos para a sua saúde. Atualmente os inseticidas orgânicos são os mais usados no combate aos insetos e ácaros e podemos dividi-los em: inseticidas orgânico-sintéticos e inseticidas orgânicos de origem vegetal.

Entre os inseticidas orgânicos-sintéticos temos: clorado, fosforados e carbamatos; e entre os inseticidas de origem vegetal temos: nicotina, retenona e piretrinas.

Os clorados mais usados nas criações de aves são o DDT e o Lindane; os fosforados são o Malatol, O Vapona, Neguvon e Assuntol; os carbamatos são Baygon, Bolfo e Sevin. Tais inseticidas vem sendo usados com eficácia no cambate aos parasitas que vivem no corpo das aves e também aqueles encontrados no meio ambiente. É importante que estes produtos sejam usados convenientemente e em doses adequados pois podem ser tóxicos para os animais.

Vejamos a seguir o que as intoxicações causadas por inseticidas podem determinar.

INTOXICAÇÃO POR INSETICIDAS CLORADOS

Altos níveis de DDT, por exemplo, podem determinar distúrbio na reprodução, com modificações co ciclo reprodutivo das aves, falhas na ovulação, diminuição na eclosão dos ovos, produção de ovos de casca fina, aumento na mortalidade embrionária e redução do instinto maternal.

Há também diminuição no consumo dos alimentos e em fases mais avançadas da intoxicação surgem tremores, flacidez da musculatura do pescoço e por isso as aves não conseguem sustentar a cabeça, e o bico chega a tocar o fundo da gaiola. Estes sintomas se acompanham de fraqueza das pernas e as aves apoiam sobre os tarsos. Há hiperexcitabilidade, perda do equilíbrio e os pássaros se debatem muito, sofrendo verdadeiros "ataques". A proporção que a doença evolue, tais ataques se acentuam e culminam com a morte da ave.

As vias de absorção dos inseticidas clorados são: oral, respiratória e cutânea. Uma das características desses produtos é que são considerados como venenos cumulativos.

INTOXICAÇÃO POR INSETICADAS FOSFORADOS

Estes inseticidas também determinam sintomatologia nervosa. Assim temos: tremores musculares, principalmente na cabeça e pescoço, salivação intensa, perda do apetite, lacrimejamento, convulsões, paralisia e morte.

As vias de absorção dos inseticidas fosforados são: oral, respiratória e cutânea.

INTOXICAÇÃO POR CARBAMATOS

A intoxicação que estes inseticidas determinam nas aves, é semelhante aquela causada pelos fosforados e as vias de absorção são idênticas.

INTOXICAÇÃO POR PIRETRÓIDES

Dos inseticidas de origem vegetal, as piretrinas são as mais usadas nas aves, pois são menos tóxicas que os demais. Doses excessivas deste produto podem determinar: insuficiência respiratória e salivação excessiva.

O tratamento das intoxicações por inseticidas é difícil e de um modo geral o êxito depende do pronto atendimento ao doente e da quantidade do produto absorvido. Os medicamentos usados no tratamento são os seguintes.

  1. intoxicação por clorados – fazer o tratamento sintomático; para a excitação usar babitúricos, e para evitar a pneumonia, que acompanha este tipo de intoxicação, fazer uso de antibióticos de largo espectro.

  2. Intoxicação por fosforados e carbamatos – uso do sulfato de atropina por via intramuscular. E recomendável também o uso de antibióticos de largo espectro, para evitar a pneumonia causada geralmente por estase sanguínea.

  3. Intoxicação por piretróides – não há antídoto.

CAUSAS DE CARÊNCIAS VITAMÍNICAS

A finalidade deste artigo é ordenar um quadro e seus sintomas gerais (só um alerta).

Para um preparador de alimentos para aves, é muito importante conhecer a causa e em seguida a qualidade dos alimentos que podem manifestar carências vitamínicas, que refletem no estado de saúde e na reprodução das aves.

Esses fatores podem ser simplesmente agrupados como a seguir:

a) Insuficiência das dosagens vitamínicas

b) Absorção imperfeita das vitaminas no trato digestivo. Os casos mais freqüentes são os lipossolúveis, seguido da ingestão de lipídeos alterados.

c) Eliminação da quantidade necessária de vitamina pelo sistema excretor, seguindo o processo fisiológico como por exemplo se verifica a poluição de caráter patológico.

d) Distribuição das vitaminas no trato digestivo, e ação da flora bacteriana alterada por condições particulares enzimáticas, ver o caso da inativação da vitamina E em contato com oleaginosas e farinhas de extrações de sementes oleosas.

e) Por combinação não equilibrada das proteínas, glucídeos e lipídeos o desequilíbrio causa um stress nas vitaminas, por exemplo o excesso de tiamina determina a eliminação do ácido pantatênico e outros desequilíbrios vitamínicos com apresentação do quadro de avitaminose. Excesso de niancina, determinando o aparecimento da síndrome de Berbéri e o fenômeno da falta de riboflavinose. Em geral se pode adicionar nas rações e alimentos, componentes do grupo B em quantidade muito superior à exigência fisiológica do organismo e esta adição desproporcional do radical fosfórico pode comprometer a absorção de outros componentes vitamínicos do complexo B, fazendo com que essa transformação de co-enzima ativa seja comparada ao quadro de avitaminose.

f) Pela alteração do estado fisiológico das aves, época de postura, stress, crescimento, etc. e por causa da natureza patológica. Havendo necessidade da absorção da bílis, pela sua passagem pelo tubo digestivo causa a não absorção pelo intestino das vitaminas (lipossolúveis) que são absorvidas parcialmente originando um quadro de carência primária e secundária.

g) Pela irregularidade da formação do fermento vitamínico pela ação da avitaminose.

h) Pela incompatibilidade do indivíduo frente às diversas vitaminas, criando um fator de aceleração e degradação das vitaminas, causando stress.

A vitaminização da dieta deve ser efetuada de maneira correta no sentido de não adicionar quantidade a menos ou a mais que a real necessidade das aves.
No primeiro caso a integração será parcialmente eficaz originando sintomas de carência no segundo caso elevar o uso excessivo causa custos desnecessários podendo originar graves distúrbios e o excesso pode ser tóxico, competir com outras vitaminas no trato como já mencionamos e causar distúrbios no metabolismo normal originando dessa maneira um quadro carencial. Portanto, tenha cuidado ao empregar complexos vitamínicos na sua criação, pois nem sempre os efeitos serão os desejados.

HIGIENE DO CRIADOURO

Gaiolas:

As gaiolas de arame galvanizado devem sempre estar limpas, onde recomendamos o uso de papel absorvente ou mesmo jornal onde se obtem o mesmo sucesso (para forrar a chapa galvanizada) , facilitando a limpeza e conservação da chapa.

As grades devem ser limpas pelo menos uma vez por semana (por este motivo as gaiolas devem ter duas grades de fundo uma para colocar na gaiolas e a outra para trocar na hora da limpeza). Se possível recomendamos uma vez por ano antes de iniciar a época de criação uma limpeza geral nas gaiolas e até mesmo pintá-las com tinta própria.

Utensílios:

Os utensílios onde são fornecidos os alimentos e água as aves também necessitam de um bom cuidado e uma boa higiene para evitar doenças. Os comedouros e bebedouros podem ser lavados com sabão e jogar um pouco de água quente, e em seguida um desinfetante, e secados ao sol para evitar que as sementes e outros alimentos apodreçam com a umidade do comedouro.

Poleiros:

Os poleiros de madeira também devem receber um tratamento especial.

É onde as aves passam a maior parte de sua vida e estarem sempre limpos, para evitar o aparecimento de microorganismos, bactérias e parasitas, que durante a noite atacam as aves, e durante o dia se escondem entre as ranhuras dos poleiros, o qual deve ser limpo utilizando algumas gotas de querosene ou outro produto desinfetante, o que é suficiente para matar estas parasitas. Os poleiros devem estar bem secos antes de recoloca-los nas gaiolas, pois se estiverem umidos podem causar reumatismos ou outras doenças nas aves.



Banho com água:

Como todo ser as aves também gostam de fazer sua própria higiene, os canários se banham sozinhos, apenas coloque uma banhera com água limpa no interior da gaiola, que a ave se encarrega de tomar seu banho. Se a ave não gosta de tomar banho, você pode ajuda-la a fazer sua higiene, num dia bastante quente, pegue um pulverizador manual de plantas, regule o bico para uma nevoa fina; esguiche um pouco na ave e coloque-a ao sol, pois ela mesma se encarrega de secar e arrumar suas penas.

Banho de sol:

Como o pássaro necessita de um banho com água, é muito importante que os pássaro tome também o seu banho de sol, o qual lhes trás bom vigor físico e recebem a vitamina "D", que é indispensavél no crescimento dos seres vivos.

-Importante: os pássaros não podem ficar muito tempo espostos aos raios solares, na vida selvagem eles sabem a medida certa do seu banho e em cativeiro é bom tomar alguns cuidados. O banho de sol é recomendado pela manhã entre as 8 e 9 horas e a tarde após as 16 horas. Para saber se o pássaro não ficou muito tempo esposto ao sol, você saberá distinguir com o tempo, variando da época do ano se o sol esta muito quente etc. Outro ponto para se observar é quando a ave abre o bico, o qual seria a hora certa de tirar a ave do sol.

Unhas:

Como nós os pássaros possuem unhas e também crescem com o passar dos tempos. As unhas dos pássaros precisam ser aparadas, (geralmente se apara as unhas de canários adultos com mais de um ano).

Pegue o canário e segure-o firmemente, e olhe suas unhas contra a luz, você verá que existe uma pequena veia dentro da unha, localizando esta veia corte a uns 2 a 3 mm abaixo da veia tome o cuidado para não cortar este vaso sanguineo, pois poderá causar infecções ou até a morte do canário através de hemorragia. Caso acidentalmente isto ocorra cauterize o local com um palito de fósforo ainda quente, com uma faca ou coloque uma solução cicatrizante (Albocresil).

Pode usar também poleiros com lixa (são poleiros com uma tira de lixa na parte de baixo), deve ser colocado de acordo com a necessidade da ave.

CUIDADOS ADEQUADOS COM HIGIENE

É óbvio que apenas uma boa administração de um criadouro de canários, inegavelmente, não irá evitar o desenvolvimento de epidemias, ou que seja evitado que as aves sejam afetadas por determinadas moléstias; contudo, a absoluta atenção a uma série de detalhes ocorridos no dia-a-dia dentro de um criadouro indubitavelmente irá contribuir para se evitar muitas das moléstias mais comuns. Nesse sentido, a seguir, enumeramos alguns dos principais detalhes, que serão úteis “como lembrete” aos criadores menos experientes (e mais distraídos):

1. Bebedouro sem água, ou água suja;
2. Gaiolas expostas a correntes de ar;
3. Troca brusca de temperatura, interna ou externa;
4. Aves doentes ou aparentemente doentes, e no meio das aves sadias;
5. Verduras velhas ou secas, não lavadas;
6. Verduras ministradas geladas (tiradas da geladeira ou da horta de inverno);
7. Comedouro sujo, cheio de palha ou fezes;
8. Calor ou frio demasiado no ambiente;
9. Gaiolas com as bandejas atulhadas de excrementos e resíduos de alimentos;
10. Total ausência ou excesso de poleiros nas instalações;
11. Poleiros encrostados de excrementos;
12. Instalações com objetos contundentes (fios de arame, ferro ou chapa) expostos;
13. Farinhadas ou pastas alimentares velhas;
14. Aves presas às grades, às bandejas, ou às vasilhas das instalações;
15. Excesso de pó (poeira de terra) no ambiente;
16. Ausência de areia lavada ou farinha de ostras em vasilha especial;
17. Canários oriundos de aquisição recente, juntos com aves do plantel;
18. Excesso de aplicação de desinfetantes e inseticidas
19. Excesso de pessoas estranhas dentro do criadouro;
20. Excessiva movimentação interna das instalações (gaiolas, voadeiras, viveiros, etc., movimentados constantemente);
21. Excesso de aves numa mesma instalação;
22. Protelação na execução de curativos em aves acidentadas; e outros.

SEPARAÇÃO PRECOCE PROVACA MORTE DE FILHOTES

Quase sempre a culpa é exclusivamente do criador que, na ânsia de liberar o casal para nova ninhada, retira os filhotes prematuramente os quais, sem condições ainda de se alimentar corretamente, definham e morrem. A fim de evitar tais transtornos, observe bem o comportamento de seus canários, só separando os filhotes quando tiver certeza de que eles estão comendo sozinhos sem nenhum embaraço; se porém, no decorrer da criação de uma ninhada você perceber que os pais estão querendo se preparar para uma nova rodada e por isso começam a arrancar as penas dos filhotes, faça uso da diviusão da gaiola, deixando os pais de uma lado e os filhotes do outro, a fim de que possam ser alimentados através das grades. Outra recomendação: Retire os poleiros do lado dos filhotes para que eles se mantenham mais tempo ao nível do estrado, facilitando o trabalho dos pais.
A colocação de comedouros com farinhada em local adequado no lado dos filhotes facilita o aprendizado, tornando-os independentes em períodos mais curtos.

SEPARANDO OS FILHOTES

Este artigo tem a intenção de mostrar mais um método de separação dos filhotes, sem que você tenha os conhecidos problemas quando este momento chega. Os principais problemas a que me refiro são os constantes ataques dos pais contra seus filhotes, ou uma separação precoce que não permite que os filhotes aprendam a comer as sementes corretamente, muitas vezes levando-os à morte, ou nos obrigando a alimenta-los manualmente.

O método a que me refiro é a retirada da fêmea da gaiola de criação colocando-a em outra gaiola, quando os primeiros filhotes estão entre o 300 e o 350 dia de vida. Deixe apenas o macho na gaiola, para que ele termine o trabalho de alimentar e ensinar os seus filhotes.

Após 10 dias aproximadamente você poderá separar todos os filhotes, sem que os mesmos tenham sido atacados e comendo normalmente.
Logo em seguida retorne a fêmea para a gaiola. Você verá que em função do pequeno período que o casal esteve separado, logo lembrarão um do outro como se não tivessem sido divididos.

Assim que aprendi a utilizar a inseminação artificial, e conseqüentemente aprendi a retirar o esperma dos machos, utilizo-me deste método para avaliar a produção de esperma dos machos que estão na gaiola de criação. Descobri que os machos deixam de produzir esperma logo que seus filhotes nascem, e continuam sem produzi-lo até que seu trabalho de alimentação e educação dos filhotes esteja terminado. Acredito que desta forma os machos perdem a sua virilidade, facilitando o seu trabalho, ajudando a fêmea a cuidar de seus filhotes.

Como sabemos, quando os filhotes começam a deixar o ninho e às vezes até antes, a fêmea começa a se preparar para novo postura de ovos. É nesse período que os maiores problemas aparecem. Os filhotes normalmente são expulsos do ninho pela fêmea e alguns machos começam a produção de esperma novamente, passando a atacar seus filhotes como vemos o macho tentando galar alguns de seus filhotes. Já outros machos continuam sem produzir esperma, cuidando de seus filhotes, porém, infelizmente não conseguindo encher os primeiros ovos postos pela fêmea.

Se separarmos a fêmea como eu proponho, ela poderá descansar durante estes 10 dias, enquanto o macho cuida dos filhotes. Quando ela retorna para a gaiola, os filhotes já não estão mais lá, e o macho poderá tranqüilamente cortejar a fêmea se prepara para nova postura. A postura deverá começar dentro de 10 dias e quase sempre com os primeiros ovos fertilizados.

POR QUE OS FILHOTES MORREM NO NINHO???

Todos os anos uma grande quantidade de filhotes morrem durante os dez primeiros dias de vida.

L.Bellver

DIAGNÓSTICO:

Colibacilose, Salmonelose, Micose.

Estas bactérias citadas são as causas de inúmeras perdas toas as temporadas, com subsequentes desconforto e impotência do criador.

Sabemos todos, e inclusive já nos ocorreu em mais de um ocasião, Ter proporcionado o cruzamento de mais de dez casais de canários e contabilizando no final da temporada nove ou menos exemplares. Analisando, não se trata de dez casais com problemas de procriação; pode ocorrer talvez de três deles, porém não na sua
totalidade.

Lógico é que se mandarmos investigar as causas, seremos informado que quase sempre a bactéria Coli ou Salmonela é a causadora, pois vivem constantemente com os pássaros, mesmo que esses as controlem com suas defesas.

Diante dessa situação, temos nos valido de remédios, livros, artigos, sem resultado positivo, e, desse modo transcorreu-se a temporada.

Noutras ocasiões e diante a incompetência, recorremos aos companheiros em criação que nessa temporada lhes tenha sido satisfatória, pedindo-lhes informações e segredos de criação. Nosso amigo, que sempre pena de nós, nos conta o que sabe e o que vem a saber. Fornece ainda uma ração do seu preparo. Ensina-nos a receita e visita o local de criação.

Acreditamos que este é um santo remédio e que tudo mudará. No final de alguns dias tudo continua igual e os próximos nascimentos morrem diante de nossa competência.

Recorremos de novo a outros criadores. Obtemos informações e testamos todas elas. Uns nos aconselham dar tal medicamento, outros nos sugerem sulfas ou antibióticos, os mais naturalistas sugerem cenoura ralada misturada. Vamos ao herbário. Compramos germes de trigo, pólen, extrato de algarroba, mel, proteínas.
Variamos todo os sistema, preparamos diversas massas e rações de pintos com leite, cereal de bebê e vitaminas.

Na terceira ninhada competimos com a dona da casa, pois a cozinha mais se assemelha com um laboratório.

Usamos a moedora de carne para moer sementes de cânhamo. Enquanto isso fervemos sementes de rabanete que segundo nos disseram são infalíveis. Em um vasilha colocamos de molho uma medida de sementes negras que também disseram ser maravilhosas e que as fêmeas avançam nelas com muita gula. Já ia me esquecendo, noutra boca do fogão uma caçarola com água fervendo e três ovos.

A televisão está transmitindo um jogo de futebol. Todos estão atentos menos aquele que está cuidando dos ovos para que não fervam mais de 9 minutos, pois li em algum lugar, que se passarem da fervura a gema fica azulada e pode ser indigestos e tóxicos.

Ninguém pode usar a pia porque a verdura tem de fica de molho com água em solução caustica por toda a noite, conforme outro dos segredos vem guardados.

No Domingo, com desculpa de levar os meninos para passear, vamos ao campo recolher uma ervas chamadas de nabiças com as quais o tio Pepe conseguia dezenas
de canários.

Durante a temporada trocamos, várias vezes de mistura. Algumas vezes com alpiste, outras com aveia e cânhamo em separado. Parecíamos espiões industriais, pois estamos, como se diz a sociedade, absorvidos pelo assunto. Desse modo durante anos e anos.

Viramos investigadores, biólogos e veterinários. Lemos tudo, aprendemos a conhecer fórmulas. Familiarizamo-nos com as vitaminas, proteínas, carbohidratos e minerais. Conhecemos além disso todos os nomes dos aminoácidos na ponta da língua, o que em nenhum dia conseguimos aprender os nomes dos reis visigodos.

Somos invadidos por toda classe de preparos nacionais e internacionais. Começamos nós mesmos a preparar as nossas próprias formulas. Ficamos isolados,pois nossos amigos amadores timbraram pelo caminho do aprendizado e hoje em dia os vemos transformados em pescadores ou catadores de cogumelos.

Nosso caso, Deve-se tratar de genética. O que anima a nos empenharmos a fundo nesse desafio, é tentar reproduzir este fenômeno que se chama criação em cativeiro.

Ah! Já ia me esquecendo do início desse artigo: Por que morrem os filhotes no ninho???

Descobrir isto causo muitos anos de tentativas frustrantes.

A causa da maioria das mortes é, sem dúvida a falta de água ou de líquidos para digerir a ração e as massas atuais, na maioria das vezes muito ricas e indigestas, longe estão os tempos em que os nossos avós criavam de forma natural, com cardo, pão duro amolecido, alpiste e maçãs.

Na primeira semana de vida os filhotes duplicam seu peso a cada dia, e 75% compõe-se de água.

Os três primeiros dias passam sem incidentes nenhum. No quarto ou quinto dia os examinamos a tarde. As ninhadas alimentadas. Que satisfação.

No dia seguinte perderam peso. Encontram-se menores que no dia anterior. Começa o retrocesso. As gorduras acumuladas em torno da cintura desaparecem rapidamente. A cor se torna avermelhada.

Pedem insistentes por comida. Não é isso que precisam, mas sim água. No dia seguinte não tem forças para levantar a cabeça.

A mãe insiste em dar-lhes comida, eles não reagem, não podem levantar a cabeça, a fêmea, ante negativa, se deita sobre eles. Não podendo digerir a comida, também ela adoece de indigestão.

O ninho começa a molhar-se, pois os excrementos são líquidos e a fêmea não pode limpá-lo . É então quando atacam as bactérias coli e salmonela sem que nada se possa fazer, pois os filhotes estão muito debilitados, e tudo ocorre no espaço de dois dias.

Esta sintomatologia é evidenciada quando a fêmea salta do ninho e sua barriga está úmida e suja. Sempre se disse que a fêmea suava sobre os filhotes e esses morriam, quando na realidade são os excrementos destes mais a febre e o suor que sujam a barriga da fêmea.

Uma observação lógica de que estes filhotes não estavam doentes é a seguinte:

Se estivessem contaminados por alguma bactéria, a maioria haveria de morrer dentro dos ovos ou nos dois dias seguintes ao nascimento.

Quando sempre atribuímos ao azar de bactérias, responsabilizando-as por todos os males. Se tivéssemos nos preocupado mais com os devidos cuidados dos reprodutores, não existiria a maioria dos problemas.

Como fornecer líquido aos filhotes?

Fornecendo maçãs, cuscuz, pão umedecido, sementes fervidas e verduras.

Nos três primeiros dias de vida os filhotes são alimentados pela mãe com papainhas líquidas e semi digeridas.

A partir do terceiro dia convém dar pela manhã um pedaço pequeno de maçã, se possível do tamanho de uma noz ou menor. Na ração adicionamos sementes fervidas e umedecidas.

Quando os filhotes depositarem os excrementos na borda do ninho, já se pode dar maçã a vontade.

Principalmente nas raças de cores modernas, se lhes damos maçã em excesso a mãe, ou algumas mães, os alimentam quase que exclusivamente de maçã, resultando fezes demasiadamente líquidas e de difícil limpeza pelas fêmeas e que se pode terminar com a ninhada.

Este assunto de criar pássaros se pode comparar com os primeiros meses de vida de um bebê, em que os cuidados de limpeza de fraldas e alimentação suave são primordiais.

O pão úmido ( um pedaço pequeno ) também é interessante. A verdura, se não se trata de canários timbrados ou de raças resistentes com o cobre é conveniente deixar para Segunda ou terceira alimentação e fornece-la a partir dos quinze dias e sempre gradualmente. Finalmente, um sistema inovador de água é o cuscuz. Trata-se do germém de trigo duro separado do grão. Nos países árabes é usado para preparar um prato típico, o Kibe.

Em canaricultura, pássaros exótico e outros, se emprega o cuscuz para misturar com ração, trazendo umidade e tornando-as mais apetitosas e acima de tudo conseguindo o aporte de líquido necessário para a perfeita digestão da comida.

Como preparar o cuscuz?

No caso do prato culinário árabe, não sei. Porém na avicultura é o seguinte:

Á noite, ou horas antes de preparar a ração, põe-se uma quantidade de cuscuz de molho com o dobro de água. Nesta água pode acrescentar algumas gotas de complexo vitamínico.

Se usar algum remédio é conveniente não coloca-lo junto com o cuscuz de molho, é sim, coloca-lo no final para que não perca parte de sua eficiência em muitas horas de água.

Se preparar o cuscuz a noite, é conveniente guardá-lo na geladeira para que o calor não o azede.

Resumo de alguns conselhos úteis.

1 - Não dar alimentação demasiado forte nos primeiros 5 dias.

2 - Nunca dar misturas de sementes a partir das 6 horas da tarde.

3 - Se houver oportunidade, dar a ração de manhã e depois do almoço. Sempre na quantia exata.

4 - Não variar e não acrescentar nenhuma mudança brusca na alimentação.

5 - Não se preocupe em demasia se alguns filhotes não estão alimentados a noite, pois a natureza é sabia.

6 - Se, por exemplo, se tem 10 casais e uma média de seis funcionam, tudo corre bem. Deixe que eles continuem seu sistema e no final da temporada terá conseguido 60 pássaros. Pode guardar os outros quatro casais para fazer uma investigação. Não tente fazer alguma mudança em todos os casais porque estes quatro não funcionam.

7 - Não mude os filhotes doentes no último momento para que uma fêmea sádia, pois dificilmente os salvará. Ela é que pode adoecer, principalmente se é uma fêmea que os alimenta bem.

CUIDADOS COM OS FILHOTES

INCUBAÇÃO NATURAL Nascidos os filhotes em incubação natural, devemos verificar todos os dias se a fêmea os está tratando e alimentando. Caso não estejam sendo tratados podemos passa-los para uma ama-seca da mesma espécie, ou espécies diferentes, desde que seja comprovada sua atuação como mãe. Um bom exemplo são as fêmeas de manom.
Podemos manter estes filhotes na forma manual, fornecendo alimento caseiro ou comercial, sempre balanceados, 5 a 6 vezes ao dia. O filhote criado artificialmente deve receber alimentação muito boa, caso contrário seu desenvolvimento será menor que aqueles criados pelos pais ou ama-seca. Todos estes cuidados devem ser previstos antes do início da reprodução, para que não haja falha durante o processo.
Quando um filhote deixa de ser alimentado, é jogado para fora do ninho, ou após a troca para ama-seca, pode se apresentar frio, desidratado, com hipoglicenia, e dificilmente pede comida. Filhote que não pede alimento, os pais deixam de tratar4. O filhote ainda com os pais deve receber glicose no bico e soro (utilizar agulhas de insulina), até que se restabeleça a saúde, e peça alimento. Caso não esteja sendo tratado, devemos aquece-lo em lâmpada ou bolsa de água quente, e alimenta-lo com soro e glicose inicialmente, passando para o alimento em forma de papa. Muito cuidado para não asfixiar o filhote com líquidos ou excesso de alimento de uma vez. Use colheres de tamanhos compatíveis com o pequeno bico do filhote.
As aves com 20 a 30 dias de vida não controlam a temperatura corpórea, pois o sistema termorregulador ainda estão em desenvolvimento. O empenamento nesta fase está quase totalmente formado, mas ainda auxilia pouco no aquecimento da ave.
Todo este acompanhamento dos filhotes segue procedimentos básicos que devem ser esperados a qualquer momento, Estes procedimentos são definidos na dependência de cada problema. Algumas atuações de emergência realizadas nos filhotes são:
1.Hipotermia: Os filhotes tornam-se frios, com pequena ou nenhuma movimentação, com pouca reação ao estímulo de alimentação, respiração lenta, cabeça caída. Podemos utilizar diversas formas de aquecimento: lâmpadas de 15 a 40 w, tendo-se o cuidado de não deixar ao alcance das aves para não se queimarem por contacto. Gaiolas aquecidas, ou bolsa de água quente (a temperatura da bolsa ideal deve ser testada colocando em contacto com o dorso da mão de uma pessoa, sem sentir ardor); ou mesmo aquecedores podem ser usados. Procure manter a temperatura local entre 35 a 37 0 C. Caso a temperatura fique muito alta o filhote se afasta da fonte de aquecimento, e torna-se ofegante. Existem lâmpadas com vidro fosco para que o seu brilho não ofusque os olhos dos pequeninos, principalmente em aves que já nascem de olhos abertos, como o caso de galináceos, cracídeos e tinamídeos, e outros.
Desidratação: A ave desidratada mantém a pele seca e repuxada, a penugem seca em volume, respiração cansada. Soluções de soro por via oral poderão ser administradas com muito cuidado para não afogar o filhote. O soro caseiro ou soro comercial pode ser administrado no voluma adequado, sendo diluído diariamente, e fornecido a cada 1 ½ hora. O soro caseiro para aves deve ser feito na dose de 1 colher de café rasa de sal, 2 colheres de chá de açúcar em 1 copo de 200 ml de água filtrada. Os soros comerciais ideais são os recomendados
Como anti-estressante para aves (Ernestid: 2 gramas em 1 litro de água. Hidratação injetável pode ser feita com Ringer lactato por via subcutânea ou endovenosa, sendo o cálculo realizado da seguinte forma:

HIDRATAÇÃO

Cálculo Geral
Deficiência de fluido (ml) = peso vivo (gramas)x 0,10
Manutenção= 50ml/Kg de peso vivo/dia
Administração
50% da deficiência + manutenção nas primeiras 24 horas
50% da deficiência + manutenção nas próximas 48 horas
Dose
Adulto 1/3 diário três vezes ao dia
Filhotes e aves debilitadas 1/10 a 1/5 de 11/2.

EXEMPLOS
Papagaio (adulto 300 g)
Peso vivo: 300 g
Deficiência de fluido (ml)=300x0,10=30ml
Manutenção=50ml/Kg equivale a 15ml/300g/dia (por regra de três)
Administração
50% da deficiência + manutenção nas primeiras 24 horas:15 + 15 = 30 ml
50% da deficiência + manutenção nas próximas 48 horas: 30 ml
Dose
Adulto 1/3 diário três vezes ao dia=10ml três vezes ao dia
Ave debilitada: 1/10 a 1/5 de 1 e ½ h=1,0 a 1,5 ml de 1 e ½ h
Filhotes (100g de peso vivo): 0,3 a 0,5ml de 1 e ½ hora
Repetir a dose nos próximos 2 dias caso seja necessário.

CANÁRIO E CURIÓ adulto (30g)
Peso vivo 30 g
Deficiência de fluido (ml)=30x0,10=3 ml
Manutenção=50ml/Kg equivale a 1,5ml/30g/dia (por regra de três)
Administração
50% da deficiência + manutenção nas primeiras 24 horas: 1,5 + 1,5=3,0 ml
50% da deficiência + manutenção nas próximas 48 horas: 1,5 + 1,5=3,0 ml
Dose
Adulto (via oral) e ave debilitada: 1/10 a 1/5 de 1 e ½ h= 0,3 a 0,5 ml de 1 e ½ h (6-10 gotas)
Filhotes (10g de peso vivo): 0,1 a 0,2 ml de 1 e ½ hora (2 a 4 gotas)

Hipoglicenia: Em casos de hipoglicenia, de fraqueza, tanto dos filhotes, como de adultos, fornecemos glicose a 50% na dose de 2ml/kg por via endovenosa (EV), podendo ser administrada via intramuscular diluída a 5%. Caso haja impossibilidade de se utilizar a via injetável (EV), podemos fornecer a glicose por via oral (VO) na dose de 2ml/Kg quatro vezes ao dia.
Exemplo:
Papagaio adulto (peso vivo 300g): a dose será 0,6 ml EV e VO.
Canários, curiós, diamantes (peso vivo 30g): a dose será 0,06ml EV e VO (equivalem a 1,2 gotas de conta gotas e 7 gotas com agulha de insulina).
Bicudos, periquitos, agapornis (peso vivo médio 50g): a dose será 0,1 ml EV e VO (equivalem a 2 gotas de conta-gotas e 12 gotas com agulha de insulina).

Febre: Como consideramos a febre uma reação positiva da resistência do paciente a doença, não indicamos em nossa prática o uso de antitérmicos. Analisamos suas reações associadas a febre e ao estado geral, e procuramos a causa. Caso haja interesse em aplicar antitérmicos recomendamos primeiro que medique com remédio homeopático, dando preferência ao medicamento específico do quadro agudo. Segundo, poderemos usar Belladona, Aconitum, Ferrum phosphoricum, Gelsemium, ou Chamomilla. O medicamento alopático antitérmico é o AAS ou a Aspirina tamponados, por no máximo 2 dias. Colocar a ave em local fresco, sem vento, recebendo alimentação leve, com muitas frutas, legumes e verduras. Providenciar a hidratação oral ou injetável.

Choque: Na emergência poderemos medicar com dexametasona na dose de 5mg/Kg IM ou succinato de predinisolona na dose de 20-30mg/Kg IM, com aplicação de soro EV, se possível.

Alimentação: Os filhotes geralmente necessitam de uma alimentação com níveis de 24% de proteína. As características dos alimentos devem ser: consistência macia, de fácil digestão, paladar apetitoso, geralmente encontradas em casas comerciais para animais, são alimentos especializados para filhotes no ninho. As aves do tipo passeriformes pedem alimento várias vezes ao dia, na dependência da facilidade da digestão, da qualidade e da quantidade de alimento ingeridos em cada refeição. Algumas aves de porte maior, podem ser alimentadas através de tubo macio e flexível introduzido até o papo, cujo volume a ser administrado dependerá da espécie.

Teoricamente um filhote de ave que não se alimentasse por 6 horas ficaria muito mal. Na prática, aves deixadas com pais displicentes, tem sobrevivido após adotarmos todos os cuidados posteriormente de hidratação, aquecimento e alimentação. Na primeira semana a ave possui ainda a reserva do saco vitelínico, que o auxilia na sua nutrição até 7 dias.

Outro problema na alimentação de filhotes são as formas de administração. Devemos usar colheres com a concha adaptada para cada tamanho de ave, e o cabo longo adaptado a mão dos tratadores, de forma que não haja risco de escorregarem e serem engolidas, principalmente por araras, e tucanos. Aconselhamos que usem colheres de material descartável, ou resistente, que possam ficar de molho em solução de cloro após alimentar cada ave, ou cada ninhada. Usar várias colheres, pois terão um tempo para serem desinfetadas antes de serem reutilizadas, evitando-se assim a propagação de doenças transmitidas pela saliva. Prepare o alimento dos filhotes. Retire o volume utilizado para alimentar cada filhote ou ninhada e coloque em um copo pequeno, deixando o restante em repouso em local seco e fresco. Assim que terminar de alimentar esta ave, descarte a colher e o copo em solução de cloro, utilize uma nova dupla de utensílios par a outra ave ou ninhada. No mercado existem colheres plásticas pequeninas, usadas para mexer café. Podemos substituir este copo descartável, distribuindo pequeninas porções de alimento ao redor de um pires amplo, sem mistura-los.

RESUMO PARA AÇÕES DE EMERGÊNCIA
(mantenha este quadro sempre a vista):

Temperatura: 35 a 37,50C
Hidratação: Ringer lactato subcutâneo (1 a 3ml/100g de peso vivo) na prega da asa ou abaixo do pescoço, ou dose oral (3 a 10ml/100g de peso vivo).
Glicose: 5% de glicose em fluidos injetáveis ou 20% nos fluidos orais.
Choque: dexametasona (5mg/kg IM) ou succinato de predinisolona (20-30mg/kg IM), com aplicação de soro EV, se possível.

CUIDADOS PEDIÁTRICOS
Uma ação que estimula a fêmea e/ou o macho a alimentar seu filhote são os piados que estes emitem até estar saciado pelo alimento. Quando o filhote não pede este alimento, podemos tirar algumas conclusões:
Imaturidade da fêmea como mãe;
Existe doença na fêmea ou no filhote;
Alguma deformidade física do filhote;
Ambiente estressante (ruídos, pessoas estranhas, animais estranhos, etc);
Falta do macho, que muitas vezes auxilia no trato;
Ninho errado, em forma, ventilação, luz, material para construção;
Calor ou frio.

A fêmea tenta estimular o filhote, quando este não responde, ela simplesmente o elimina bicando ou jogando para fora do ninho. Ás vezes encontramos filhotes mortos amassados dentro do ninho, junto com os filhotes vivos, sem que com isto a fêmea fique incomodada.

Nestes casos de fraqueza do filhote devemos aquece-los com uma bolsa de água quente coberta por uma toalha (teste a temperatura da bolsa no dorso da mão). Dê o medicamento diretamente no bico usando agulha de insulina. A, glicose a 25% é fornecida na dose de 2 gotas de 11/2 e 1 ½ hora, ou menor tempo. Quando tiver alguma reação, tentar devolve-lo para o ninho. Fique alerta, pois caso a mãe rejeite novamente o filho, ela pode até mata-lo. Neste caso de rejeição podemos coloca-lo em uma ave ama-seca, ou da mesma espécie ou espécie diferente, que esteja em reprodução, com as características físicas desta época. Muitas vezes temos que ajudar a ama-seca ou a mãe nova a alimentar o filhote com papinha própria, cujos nutrientes são formulados para filhotes, o que consome muito tempo e trabalho.

Alguns casos em que os pais não tratam bem os filhotes, estes poderão permanecer nos ninhos, assim apenas auxiliamos a alimentação algumas vezes ao dia. Este método faz com que o filhote receba alimentos também dos pais, fornecendo anticorpos, e enzimas digestivas. Estes casos geram filhote mais fortes do que aqueles criados apenas artificialmente. No Caso do filhote já ter saído do ninho, mas não se alimentar direito, separe a gaiola, coloque poleiros próximos da divisória dos dois lados e observe, os pais continuam tratando os filhotes, mas sem que estes invadam seu espaço.

O filhote somente alimentado artificialmente deve permanecer em local ou gaiola aquecidos, por duas lâmpadas de 40W de feixe fosco, mantendo 370C, e tomando-se o cuidado para não ter chance de encostar na lâmpada. Esta tarefa ocupa muito tempo e dedicação. Dependendo da espécie terá de ser alimentado de 2 a 4 horas por dia. Quando as aves são muito jovens, este período deve ser reduzido de 1 em 1 hora e as temperaturas deverão ser de 32-350C. No caso de beija-flores o período de alimentação pode chegar até 30 em 30 minutos. O alimento deve ser servido sempre morno.
Enquanto o filhote come devemos limpar o alimento que gruda na apenas antes que resseque. Limpar a região da boca do filhote com cotonetes, para não acumular e fermentar esta comida até a próxima refeição.

O alimento próprio para filhotes, pode ser encontrado em grandes magazines de alimentos para animais, ou então preparado em casa. Fazer uma farinha com a mistura de: 60% de milharina (farinha de milho p’re cozida e fina), 30% de Neston (produto floculado com cereais: aveia, cevada e trigo, adoçado), 10% de leite em pó.

Esta farinha pode ser armazenada, sempre em local fresco e seco. Na hora de preparar o alimento, misture:
3 colheres de farinhada, 1 gema cozida, papinha de frutas ou vitamina de frutas até dar a consistência boa para cada filhote.
Acrescente 1 gota de suplementos vitamínicos (Protovit infantil) 3 vezes por semana, 1 ou 2 gotas de Calcigenol por dia.

Fazer o alimento todos os dias na primeira refeição e guardar em geladeira. Após a mistura com frutas e ovos, este alimento não pode ser armazenado em geladeira por mais de 18 horas.

Quanto às doenças, são muito variadas nesta fase da vida. Alguns criadores utilizam antibióticos e antifúngicos para prevenir. Nós não recomendamos, pois desde que os pais tenham recebido manejo e alimentação adequados, imunizados e controlados para doenças e parasitas, os filhotes continuarem recebendo cuidados especiais, este não precisará de medicamentos para viver. Todo criador que mantém estas normas básicas de criação e manejo, não utiliza antibióticos nesta fase de filhotes. Os órgãos das aves estão em maturação e podemos afeta-los irremediavelmente, principalmente no que diz respeito a reprodução futura. O ideal é procurar orientação ao sinal de qualquer sintoma anormal, que pode ser digestão difícil, diarréia, perda de apetite, sonolência, etc.

TABELA: Capacidade do papo e volume de líquido que pode ser administrado para um filhote a cada 1 e ½ hora.

Espécie da ave e peso vivo médio (g)Capacidade do papo do adulto ( em ml)Volume (ml) administrado para adultosVolume administrado para filhotes a cada 1 e ½ hora depende do peso (10g)Volume administrado para filhotes a cada 1 e ½ hora depende do peso (10g)
MLMLgotas/conta-gotas
Canário – 30g0,25-0,50,3-0,50,1-0,22-4
Periquito – 60g0,5-100,6-1,00,2-0,44-8
Arara-800g20-306,0-120,8-1,516-30
Cacatua-500g20-304,0-7,50,4-0,758-15
Papagaio-300g10-151,0-1,50,3-0,56-10
Agapornis-50g2-50,4-0,750,04-0,075gotas de insulina
Curió-30g0,3-0,50,3-0,50,1-0,22-4
Bicudo-30G0,5-0,80,4-0,750,04-0,75gotas de insulina

Observação: 1 ml equivale a 20 gotas de conta-gotas, cada gota de conta-gotas equivale a 6 gotas com agulha de insulina – 120 gotinhas

TABELA: Sugestão de volume e freqüência para alimentação através de tubo, para aves anoréxicas.

Espécies de aveVolume (ml)Freqüência
Periquitos0,5 – 1,0 mlQuatro vezes dia (QID)
Calopsitas1,0 – 2,5 mlQID
Aratingas2,5 – 5,0 mlQID
Papagaios5,0 – 8,0 mlTrês vezes dia (QID)
Cacatuas8,0 –12,0 mlDuas vezes dia (BID)
Araras10,0 – 20,0 mlBID