Quase sempre a culpa é exclusivamente do criador que, na ânsia de liberar o casal para nova ninhada, retira os filhotes prematuramente os quais, sem condições ainda de se alimentar corretamente, definham e morrem. A fim de evitar tais transtornos, observe bem o comportamento de seus canários, só separando os filhotes quando tiver certeza de que eles estão comendo sozinhos sem nenhum embaraço; se porém, no decorrer da criação de uma ninhada você perceber que os pais estão querendo se preparar para uma nova rodada e por isso começam a arrancar as penas dos filhotes, faça uso da diviusão da gaiola, deixando os pais de uma lado e os filhotes do outro, a fim de que possam ser alimentados através das grades. Outra recomendação: Retire os poleiros do lado dos filhotes para que eles se mantenham mais tempo ao nível do estrado, facilitando o trabalho dos pais.
A colocação de comedouros com farinhada em local adequado no lado dos filhotes facilita o aprendizado, tornando-os independentes em períodos mais curtos.
domingo, 23 de novembro de 2008
SEPARAÇÃO PRECOCE PROVACA MORTE DE FILHOTES
SEPARANDO OS FILHOTES
Este artigo tem a intenção de mostrar mais um método de separação dos filhotes, sem que você tenha os conhecidos problemas quando este momento chega. Os principais problemas a que me refiro são os constantes ataques dos pais contra seus filhotes, ou uma separação precoce que não permite que os filhotes aprendam a comer as sementes corretamente, muitas vezes levando-os à morte, ou nos obrigando a alimenta-los manualmente.
O método a que me refiro é a retirada da fêmea da gaiola de criação colocando-a em outra gaiola, quando os primeiros filhotes estão entre o 300 e o 350 dia de vida. Deixe apenas o macho na gaiola, para que ele termine o trabalho de alimentar e ensinar os seus filhotes.
Após 10 dias aproximadamente você poderá separar todos os filhotes, sem que os mesmos tenham sido atacados e comendo normalmente.
Logo em seguida retorne a fêmea para a gaiola. Você verá que em função do pequeno período que o casal esteve separado, logo lembrarão um do outro como se não tivessem sido divididos.
Assim que aprendi a utilizar a inseminação artificial, e conseqüentemente aprendi a retirar o esperma dos machos, utilizo-me deste método para avaliar a produção de esperma dos machos que estão na gaiola de criação. Descobri que os machos deixam de produzir esperma logo que seus filhotes nascem, e continuam sem produzi-lo até que seu trabalho de alimentação e educação dos filhotes esteja terminado. Acredito que desta forma os machos perdem a sua virilidade, facilitando o seu trabalho, ajudando a fêmea a cuidar de seus filhotes.
Como sabemos, quando os filhotes começam a deixar o ninho e às vezes até antes, a fêmea começa a se preparar para novo postura de ovos. É nesse período que os maiores problemas aparecem. Os filhotes normalmente são expulsos do ninho pela fêmea e alguns machos começam a produção de esperma novamente, passando a atacar seus filhotes como vemos o macho tentando galar alguns de seus filhotes. Já outros machos continuam sem produzir esperma, cuidando de seus filhotes, porém, infelizmente não conseguindo encher os primeiros ovos postos pela fêmea.
Se separarmos a fêmea como eu proponho, ela poderá descansar durante estes 10 dias, enquanto o macho cuida dos filhotes. Quando ela retorna para a gaiola, os filhotes já não estão mais lá, e o macho poderá tranqüilamente cortejar a fêmea se prepara para nova postura. A postura deverá começar dentro de 10 dias e quase sempre com os primeiros ovos fertilizados.
POR QUE OS FILHOTES MORREM NO NINHO???
Todos os anos uma grande quantidade de filhotes morrem durante os dez primeiros dias de vida.
L.Bellver
DIAGNÓSTICO:
Colibacilose, Salmonelose, Micose.
Estas bactérias citadas são as causas de inúmeras perdas toas as temporadas, com subsequentes desconforto e impotência do criador.
Sabemos todos, e inclusive já nos ocorreu em mais de um ocasião, Ter proporcionado o cruzamento de mais de dez casais de canários e contabilizando no final da temporada nove ou menos exemplares. Analisando, não se trata de dez casais com problemas de procriação; pode ocorrer talvez de três deles, porém não na sua
totalidade.
Lógico é que se mandarmos investigar as causas, seremos informado que quase sempre a bactéria Coli ou Salmonela é a causadora, pois vivem constantemente com os pássaros, mesmo que esses as controlem com suas defesas.
Diante dessa situação, temos nos valido de remédios, livros, artigos, sem resultado positivo, e, desse modo transcorreu-se a temporada.
Noutras ocasiões e diante a incompetência, recorremos aos companheiros em criação que nessa temporada lhes tenha sido satisfatória, pedindo-lhes informações e segredos de criação. Nosso amigo, que sempre pena de nós, nos conta o que sabe e o que vem a saber. Fornece ainda uma ração do seu preparo. Ensina-nos a receita e visita o local de criação.
Acreditamos que este é um santo remédio e que tudo mudará. No final de alguns dias tudo continua igual e os próximos nascimentos morrem diante de nossa competência.
Recorremos de novo a outros criadores. Obtemos informações e testamos todas elas. Uns nos aconselham dar tal medicamento, outros nos sugerem sulfas ou antibióticos, os mais naturalistas sugerem cenoura ralada misturada. Vamos ao herbário. Compramos germes de trigo, pólen, extrato de algarroba, mel, proteínas.
Variamos todo os sistema, preparamos diversas massas e rações de pintos com leite, cereal de bebê e vitaminas.
Na terceira ninhada competimos com a dona da casa, pois a cozinha mais se assemelha com um laboratório.
Usamos a moedora de carne para moer sementes de cânhamo. Enquanto isso fervemos sementes de rabanete que segundo nos disseram são infalíveis. Em um vasilha colocamos de molho uma medida de sementes negras que também disseram ser maravilhosas e que as fêmeas avançam nelas com muita gula. Já ia me esquecendo, noutra boca do fogão uma caçarola com água fervendo e três ovos.
A televisão está transmitindo um jogo de futebol. Todos estão atentos menos aquele que está cuidando dos ovos para que não fervam mais de 9 minutos, pois li em algum lugar, que se passarem da fervura a gema fica azulada e pode ser indigestos e tóxicos.
Ninguém pode usar a pia porque a verdura tem de fica de molho com água em solução caustica por toda a noite, conforme outro dos segredos vem guardados.
No Domingo, com desculpa de levar os meninos para passear, vamos ao campo recolher uma ervas chamadas de nabiças com as quais o tio Pepe conseguia dezenas
de canários.
Durante a temporada trocamos, várias vezes de mistura. Algumas vezes com alpiste, outras com aveia e cânhamo em separado. Parecíamos espiões industriais, pois estamos, como se diz a sociedade, absorvidos pelo assunto. Desse modo durante anos e anos.
Viramos investigadores, biólogos e veterinários. Lemos tudo, aprendemos a conhecer fórmulas. Familiarizamo-nos com as vitaminas, proteínas, carbohidratos e minerais. Conhecemos além disso todos os nomes dos aminoácidos na ponta da língua, o que em nenhum dia conseguimos aprender os nomes dos reis visigodos.
Somos invadidos por toda classe de preparos nacionais e internacionais. Começamos nós mesmos a preparar as nossas próprias formulas. Ficamos isolados,pois nossos amigos amadores timbraram pelo caminho do aprendizado e hoje em dia os vemos transformados em pescadores ou catadores de cogumelos.
Nosso caso, Deve-se tratar de genética. O que anima a nos empenharmos a fundo nesse desafio, é tentar reproduzir este fenômeno que se chama criação em cativeiro.
Ah! Já ia me esquecendo do início desse artigo: Por que morrem os filhotes no ninho???
Descobrir isto causo muitos anos de tentativas frustrantes.
A causa da maioria das mortes é, sem dúvida a falta de água ou de líquidos para digerir a ração e as massas atuais, na maioria das vezes muito ricas e indigestas, longe estão os tempos em que os nossos avós criavam de forma natural, com cardo, pão duro amolecido, alpiste e maçãs.
Na primeira semana de vida os filhotes duplicam seu peso a cada dia, e 75% compõe-se de água.
Os três primeiros dias passam sem incidentes nenhum. No quarto ou quinto dia os examinamos a tarde. As ninhadas alimentadas. Que satisfação.
No dia seguinte perderam peso. Encontram-se menores que no dia anterior. Começa o retrocesso. As gorduras acumuladas em torno da cintura desaparecem rapidamente. A cor se torna avermelhada.
Pedem insistentes por comida. Não é isso que precisam, mas sim água. No dia seguinte não tem forças para levantar a cabeça.
A mãe insiste em dar-lhes comida, eles não reagem, não podem levantar a cabeça, a fêmea, ante negativa, se deita sobre eles. Não podendo digerir a comida, também ela adoece de indigestão.
O ninho começa a molhar-se, pois os excrementos são líquidos e a fêmea não pode limpá-lo . É então quando atacam as bactérias coli e salmonela sem que nada se possa fazer, pois os filhotes estão muito debilitados, e tudo ocorre no espaço de dois dias.
Esta sintomatologia é evidenciada quando a fêmea salta do ninho e sua barriga está úmida e suja. Sempre se disse que a fêmea suava sobre os filhotes e esses morriam, quando na realidade são os excrementos destes mais a febre e o suor que sujam a barriga da fêmea.
Uma observação lógica de que estes filhotes não estavam doentes é a seguinte:
Se estivessem contaminados por alguma bactéria, a maioria haveria de morrer dentro dos ovos ou nos dois dias seguintes ao nascimento.
Quando sempre atribuímos ao azar de bactérias, responsabilizando-as por todos os males. Se tivéssemos nos preocupado mais com os devidos cuidados dos reprodutores, não existiria a maioria dos problemas.
Como fornecer líquido aos filhotes?
Fornecendo maçãs, cuscuz, pão umedecido, sementes fervidas e verduras.
Nos três primeiros dias de vida os filhotes são alimentados pela mãe com papainhas líquidas e semi digeridas.
A partir do terceiro dia convém dar pela manhã um pedaço pequeno de maçã, se possível do tamanho de uma noz ou menor. Na ração adicionamos sementes fervidas e umedecidas.
Quando os filhotes depositarem os excrementos na borda do ninho, já se pode dar maçã a vontade.
Principalmente nas raças de cores modernas, se lhes damos maçã em excesso a mãe, ou algumas mães, os alimentam quase que exclusivamente de maçã, resultando fezes demasiadamente líquidas e de difícil limpeza pelas fêmeas e que se pode terminar com a ninhada.
Este assunto de criar pássaros se pode comparar com os primeiros meses de vida de um bebê, em que os cuidados de limpeza de fraldas e alimentação suave são primordiais.
O pão úmido ( um pedaço pequeno ) também é interessante. A verdura, se não se trata de canários timbrados ou de raças resistentes com o cobre é conveniente deixar para Segunda ou terceira alimentação e fornece-la a partir dos quinze dias e sempre gradualmente. Finalmente, um sistema inovador de água é o cuscuz. Trata-se do germém de trigo duro separado do grão. Nos países árabes é usado para preparar um prato típico, o Kibe.
Em canaricultura, pássaros exótico e outros, se emprega o cuscuz para misturar com ração, trazendo umidade e tornando-as mais apetitosas e acima de tudo conseguindo o aporte de líquido necessário para a perfeita digestão da comida.
Como preparar o cuscuz?
No caso do prato culinário árabe, não sei. Porém na avicultura é o seguinte:
Á noite, ou horas antes de preparar a ração, põe-se uma quantidade de cuscuz de molho com o dobro de água. Nesta água pode acrescentar algumas gotas de complexo vitamínico.
Se usar algum remédio é conveniente não coloca-lo junto com o cuscuz de molho, é sim, coloca-lo no final para que não perca parte de sua eficiência em muitas horas de água.
Se preparar o cuscuz a noite, é conveniente guardá-lo na geladeira para que o calor não o azede.
Resumo de alguns conselhos úteis.
1 - Não dar alimentação demasiado forte nos primeiros 5 dias.
2 - Nunca dar misturas de sementes a partir das 6 horas da tarde.
3 - Se houver oportunidade, dar a ração de manhã e depois do almoço. Sempre na quantia exata.
4 - Não variar e não acrescentar nenhuma mudança brusca na alimentação.
5 - Não se preocupe em demasia se alguns filhotes não estão alimentados a noite, pois a natureza é sabia.
6 - Se, por exemplo, se tem 10 casais e uma média de seis funcionam, tudo corre bem. Deixe que eles continuem seu sistema e no final da temporada terá conseguido 60 pássaros. Pode guardar os outros quatro casais para fazer uma investigação. Não tente fazer alguma mudança em todos os casais porque estes quatro não funcionam.
7 - Não mude os filhotes doentes no último momento para que uma fêmea sádia, pois dificilmente os salvará. Ela é que pode adoecer, principalmente se é uma fêmea que os alimenta bem.
CUIDADOS COM OS FILHOTES
INCUBAÇÃO NATURAL Nascidos os filhotes em incubação natural, devemos verificar todos os dias se a fêmea os está tratando e alimentando. Caso não estejam sendo tratados podemos passa-los para uma ama-seca da mesma espécie, ou espécies diferentes, desde que seja comprovada sua atuação como mãe. Um bom exemplo são as fêmeas de manom.
Podemos manter estes filhotes na forma manual, fornecendo alimento caseiro ou comercial, sempre balanceados, 5 a 6 vezes ao dia. O filhote criado artificialmente deve receber alimentação muito boa, caso contrário seu desenvolvimento será menor que aqueles criados pelos pais ou ama-seca. Todos estes cuidados devem ser previstos antes do início da reprodução, para que não haja falha durante o processo.
Quando um filhote deixa de ser alimentado, é jogado para fora do ninho, ou após a troca para ama-seca, pode se apresentar frio, desidratado, com hipoglicenia, e dificilmente pede comida. Filhote que não pede alimento, os pais deixam de tratar4. O filhote ainda com os pais deve receber glicose no bico e soro (utilizar agulhas de insulina), até que se restabeleça a saúde, e peça alimento. Caso não esteja sendo tratado, devemos aquece-lo em lâmpada ou bolsa de água quente, e alimenta-lo com soro e glicose inicialmente, passando para o alimento em forma de papa. Muito cuidado para não asfixiar o filhote com líquidos ou excesso de alimento de uma vez. Use colheres de tamanhos compatíveis com o pequeno bico do filhote.
As aves com 20 a 30 dias de vida não controlam a temperatura corpórea, pois o sistema termorregulador ainda estão em desenvolvimento. O empenamento nesta fase está quase totalmente formado, mas ainda auxilia pouco no aquecimento da ave.
Todo este acompanhamento dos filhotes segue procedimentos básicos que devem ser esperados a qualquer momento, Estes procedimentos são definidos na dependência de cada problema. Algumas atuações de emergência realizadas nos filhotes são:
1.Hipotermia: Os filhotes tornam-se frios, com pequena ou nenhuma movimentação, com pouca reação ao estímulo de alimentação, respiração lenta, cabeça caída. Podemos utilizar diversas formas de aquecimento: lâmpadas de 15 a 40 w, tendo-se o cuidado de não deixar ao alcance das aves para não se queimarem por contacto. Gaiolas aquecidas, ou bolsa de água quente (a temperatura da bolsa ideal deve ser testada colocando em contacto com o dorso da mão de uma pessoa, sem sentir ardor); ou mesmo aquecedores podem ser usados. Procure manter a temperatura local entre 35 a 37 0 C. Caso a temperatura fique muito alta o filhote se afasta da fonte de aquecimento, e torna-se ofegante. Existem lâmpadas com vidro fosco para que o seu brilho não ofusque os olhos dos pequeninos, principalmente em aves que já nascem de olhos abertos, como o caso de galináceos, cracídeos e tinamídeos, e outros.
Desidratação: A ave desidratada mantém a pele seca e repuxada, a penugem seca em volume, respiração cansada. Soluções de soro por via oral poderão ser administradas com muito cuidado para não afogar o filhote. O soro caseiro ou soro comercial pode ser administrado no voluma adequado, sendo diluído diariamente, e fornecido a cada 1 ½ hora. O soro caseiro para aves deve ser feito na dose de 1 colher de café rasa de sal, 2 colheres de chá de açúcar em 1 copo de 200 ml de água filtrada. Os soros comerciais ideais são os recomendados
Como anti-estressante para aves (Ernestid: 2 gramas em 1 litro de água. Hidratação injetável pode ser feita com Ringer lactato por via subcutânea ou endovenosa, sendo o cálculo realizado da seguinte forma:
HIDRATAÇÃO
Cálculo Geral
Deficiência de fluido (ml) = peso vivo (gramas)x 0,10
Manutenção= 50ml/Kg de peso vivo/dia
Administração
50% da deficiência + manutenção nas primeiras 24 horas
50% da deficiência + manutenção nas próximas 48 horas
Dose
Adulto 1/3 diário três vezes ao dia
Filhotes e aves debilitadas 1/10 a 1/5 de 11/2.
EXEMPLOS
Papagaio (adulto 300 g)
Peso vivo: 300 g
Deficiência de fluido (ml)=300x0,10=30ml
Manutenção=50ml/Kg equivale a 15ml/300g/dia (por regra de três)
Administração
50% da deficiência + manutenção nas primeiras 24 horas:15 + 15 = 30 ml
50% da deficiência + manutenção nas próximas 48 horas: 30 ml
Dose
Adulto 1/3 diário três vezes ao dia=10ml três vezes ao dia
Ave debilitada: 1/10 a 1/5 de 1 e ½ h=1,0 a 1,5 ml de 1 e ½ h
Filhotes (100g de peso vivo): 0,3 a 0,5ml de 1 e ½ hora
Repetir a dose nos próximos 2 dias caso seja necessário.
CANÁRIO E CURIÓ adulto (30g)
Peso vivo 30 g
Deficiência de fluido (ml)=30x0,10=3 ml
Manutenção=50ml/Kg equivale a 1,5ml/30g/dia (por regra de três)
Administração
50% da deficiência + manutenção nas primeiras 24 horas: 1,5 + 1,5=3,0 ml
50% da deficiência + manutenção nas próximas 48 horas: 1,5 + 1,5=3,0 ml
Dose
Adulto (via oral) e ave debilitada: 1/10 a 1/5 de 1 e ½ h= 0,3 a 0,5 ml de 1 e ½ h (6-10 gotas)
Filhotes (10g de peso vivo): 0,1 a 0,2 ml de 1 e ½ hora (2 a 4 gotas)
Hipoglicenia: Em casos de hipoglicenia, de fraqueza, tanto dos filhotes, como de adultos, fornecemos glicose a 50% na dose de 2ml/kg por via endovenosa (EV), podendo ser administrada via intramuscular diluída a 5%. Caso haja impossibilidade de se utilizar a via injetável (EV), podemos fornecer a glicose por via oral (VO) na dose de 2ml/Kg quatro vezes ao dia.
Exemplo:
Papagaio adulto (peso vivo 300g): a dose será 0,6 ml EV e VO.
Canários, curiós, diamantes (peso vivo 30g): a dose será 0,06ml EV e VO (equivalem a 1,2 gotas de conta gotas e 7 gotas com agulha de insulina).
Bicudos, periquitos, agapornis (peso vivo médio 50g): a dose será 0,1 ml EV e VO (equivalem a 2 gotas de conta-gotas e 12 gotas com agulha de insulina).
Febre: Como consideramos a febre uma reação positiva da resistência do paciente a doença, não indicamos em nossa prática o uso de antitérmicos. Analisamos suas reações associadas a febre e ao estado geral, e procuramos a causa. Caso haja interesse em aplicar antitérmicos recomendamos primeiro que medique com remédio homeopático, dando preferência ao medicamento específico do quadro agudo. Segundo, poderemos usar Belladona, Aconitum, Ferrum phosphoricum, Gelsemium, ou Chamomilla. O medicamento alopático antitérmico é o AAS ou a Aspirina tamponados, por no máximo 2 dias. Colocar a ave em local fresco, sem vento, recebendo alimentação leve, com muitas frutas, legumes e verduras. Providenciar a hidratação oral ou injetável.
Choque: Na emergência poderemos medicar com dexametasona na dose de 5mg/Kg IM ou succinato de predinisolona na dose de 20-30mg/Kg IM, com aplicação de soro EV, se possível.
Alimentação: Os filhotes geralmente necessitam de uma alimentação com níveis de 24% de proteína. As características dos alimentos devem ser: consistência macia, de fácil digestão, paladar apetitoso, geralmente encontradas em casas comerciais para animais, são alimentos especializados para filhotes no ninho. As aves do tipo passeriformes pedem alimento várias vezes ao dia, na dependência da facilidade da digestão, da qualidade e da quantidade de alimento ingeridos em cada refeição. Algumas aves de porte maior, podem ser alimentadas através de tubo macio e flexível introduzido até o papo, cujo volume a ser administrado dependerá da espécie.
Teoricamente um filhote de ave que não se alimentasse por 6 horas ficaria muito mal. Na prática, aves deixadas com pais displicentes, tem sobrevivido após adotarmos todos os cuidados posteriormente de hidratação, aquecimento e alimentação. Na primeira semana a ave possui ainda a reserva do saco vitelínico, que o auxilia na sua nutrição até 7 dias.
Outro problema na alimentação de filhotes são as formas de administração. Devemos usar colheres com a concha adaptada para cada tamanho de ave, e o cabo longo adaptado a mão dos tratadores, de forma que não haja risco de escorregarem e serem engolidas, principalmente por araras, e tucanos. Aconselhamos que usem colheres de material descartável, ou resistente, que possam ficar de molho em solução de cloro após alimentar cada ave, ou cada ninhada. Usar várias colheres, pois terão um tempo para serem desinfetadas antes de serem reutilizadas, evitando-se assim a propagação de doenças transmitidas pela saliva. Prepare o alimento dos filhotes. Retire o volume utilizado para alimentar cada filhote ou ninhada e coloque em um copo pequeno, deixando o restante em repouso em local seco e fresco. Assim que terminar de alimentar esta ave, descarte a colher e o copo em solução de cloro, utilize uma nova dupla de utensílios par a outra ave ou ninhada. No mercado existem colheres plásticas pequeninas, usadas para mexer café. Podemos substituir este copo descartável, distribuindo pequeninas porções de alimento ao redor de um pires amplo, sem mistura-los.
RESUMO PARA AÇÕES DE EMERGÊNCIA
(mantenha este quadro sempre a vista):
Temperatura: 35 a 37,50C
Hidratação: Ringer lactato subcutâneo (1 a 3ml/100g de peso vivo) na prega da asa ou abaixo do pescoço, ou dose oral (3 a 10ml/100g de peso vivo).
Glicose: 5% de glicose em fluidos injetáveis ou 20% nos fluidos orais.
Choque: dexametasona (5mg/kg IM) ou succinato de predinisolona (20-30mg/kg IM), com aplicação de soro EV, se possível.
CUIDADOS PEDIÁTRICOS
Uma ação que estimula a fêmea e/ou o macho a alimentar seu filhote são os piados que estes emitem até estar saciado pelo alimento. Quando o filhote não pede este alimento, podemos tirar algumas conclusões:
Imaturidade da fêmea como mãe;
Existe doença na fêmea ou no filhote;
Alguma deformidade física do filhote;
Ambiente estressante (ruídos, pessoas estranhas, animais estranhos, etc);
Falta do macho, que muitas vezes auxilia no trato;
Ninho errado, em forma, ventilação, luz, material para construção;
Calor ou frio.
A fêmea tenta estimular o filhote, quando este não responde, ela simplesmente o elimina bicando ou jogando para fora do ninho. Ás vezes encontramos filhotes mortos amassados dentro do ninho, junto com os filhotes vivos, sem que com isto a fêmea fique incomodada.
Nestes casos de fraqueza do filhote devemos aquece-los com uma bolsa de água quente coberta por uma toalha (teste a temperatura da bolsa no dorso da mão). Dê o medicamento diretamente no bico usando agulha de insulina. A, glicose a 25% é fornecida na dose de 2 gotas de 11/2 e 1 ½ hora, ou menor tempo. Quando tiver alguma reação, tentar devolve-lo para o ninho. Fique alerta, pois caso a mãe rejeite novamente o filho, ela pode até mata-lo. Neste caso de rejeição podemos coloca-lo em uma ave ama-seca, ou da mesma espécie ou espécie diferente, que esteja em reprodução, com as características físicas desta época. Muitas vezes temos que ajudar a ama-seca ou a mãe nova a alimentar o filhote com papinha própria, cujos nutrientes são formulados para filhotes, o que consome muito tempo e trabalho.
Alguns casos em que os pais não tratam bem os filhotes, estes poderão permanecer nos ninhos, assim apenas auxiliamos a alimentação algumas vezes ao dia. Este método faz com que o filhote receba alimentos também dos pais, fornecendo anticorpos, e enzimas digestivas. Estes casos geram filhote mais fortes do que aqueles criados apenas artificialmente. No Caso do filhote já ter saído do ninho, mas não se alimentar direito, separe a gaiola, coloque poleiros próximos da divisória dos dois lados e observe, os pais continuam tratando os filhotes, mas sem que estes invadam seu espaço.
O filhote somente alimentado artificialmente deve permanecer em local ou gaiola aquecidos, por duas lâmpadas de 40W de feixe fosco, mantendo 370C, e tomando-se o cuidado para não ter chance de encostar na lâmpada. Esta tarefa ocupa muito tempo e dedicação. Dependendo da espécie terá de ser alimentado de 2 a 4 horas por dia. Quando as aves são muito jovens, este período deve ser reduzido de 1 em 1 hora e as temperaturas deverão ser de 32-350C. No caso de beija-flores o período de alimentação pode chegar até 30 em 30 minutos. O alimento deve ser servido sempre morno.
Enquanto o filhote come devemos limpar o alimento que gruda na apenas antes que resseque. Limpar a região da boca do filhote com cotonetes, para não acumular e fermentar esta comida até a próxima refeição.
O alimento próprio para filhotes, pode ser encontrado em grandes magazines de alimentos para animais, ou então preparado em casa. Fazer uma farinha com a mistura de: 60% de milharina (farinha de milho p’re cozida e fina), 30% de Neston (produto floculado com cereais: aveia, cevada e trigo, adoçado), 10% de leite em pó.
Esta farinha pode ser armazenada, sempre em local fresco e seco. Na hora de preparar o alimento, misture:
3 colheres de farinhada, 1 gema cozida, papinha de frutas ou vitamina de frutas até dar a consistência boa para cada filhote.
Acrescente 1 gota de suplementos vitamínicos (Protovit infantil) 3 vezes por semana, 1 ou 2 gotas de Calcigenol por dia.
Fazer o alimento todos os dias na primeira refeição e guardar em geladeira. Após a mistura com frutas e ovos, este alimento não pode ser armazenado em geladeira por mais de 18 horas.
Quanto às doenças, são muito variadas nesta fase da vida. Alguns criadores utilizam antibióticos e antifúngicos para prevenir. Nós não recomendamos, pois desde que os pais tenham recebido manejo e alimentação adequados, imunizados e controlados para doenças e parasitas, os filhotes continuarem recebendo cuidados especiais, este não precisará de medicamentos para viver. Todo criador que mantém estas normas básicas de criação e manejo, não utiliza antibióticos nesta fase de filhotes. Os órgãos das aves estão em maturação e podemos afeta-los irremediavelmente, principalmente no que diz respeito a reprodução futura. O ideal é procurar orientação ao sinal de qualquer sintoma anormal, que pode ser digestão difícil, diarréia, perda de apetite, sonolência, etc.
TABELA: Capacidade do papo e volume de líquido que pode ser administrado para um filhote a cada 1 e ½ hora.
| Espécie da ave e peso vivo médio (g) | Capacidade do papo do adulto ( em ml) | Volume (ml) administrado para adultos | Volume administrado para filhotes a cada 1 e ½ hora depende do peso (10g) | Volume administrado para filhotes a cada 1 e ½ hora depende do peso (10g) |
| ML | ML | gotas/conta-gotas | ||
| Canário – 30g | 0,25-0,5 | 0,3-0,5 | 0,1-0,2 | 2-4 |
| Periquito – 60g | 0,5-10 | 0,6-1,0 | 0,2-0,4 | 4-8 |
| Arara-800g | 20-30 | 6,0-12 | 0,8-1,5 | 16-30 |
| Cacatua-500g | 20-30 | 4,0-7,5 | 0,4-0,75 | 8-15 |
| Papagaio-300g | 10-15 | 1,0-1,5 | 0,3-0,5 | 6-10 |
| Agapornis-50g | 2-5 | 0,4-0,75 | 0,04-0,075 | gotas de insulina |
| Curió-30g | 0,3-0,5 | 0,3-0,5 | 0,1-0,2 | 2-4 |
| Bicudo-30G | 0,5-0,8 | 0,4-0,75 | 0,04-0,75 | gotas de insulina |
Observação: 1 ml equivale a 20 gotas de conta-gotas, cada gota de conta-gotas equivale a 6 gotas com agulha de insulina – 120 gotinhas
TABELA: Sugestão de volume e freqüência para alimentação através de tubo, para aves anoréxicas.
| Espécies de ave | Volume (ml) | Freqüência |
| Periquitos | 0,5 – 1,0 ml | Quatro vezes dia (QID) |
| Calopsitas | 1,0 – 2,5 ml | QID |
| Aratingas | 2,5 – 5,0 ml | QID |
| Papagaios | 5,0 – 8,0 ml | Três vezes dia (QID) |
| Cacatuas | 8,0 –12,0 ml | Duas vezes dia (BID) |
| Araras | 10,0 – 20,0 ml | BID |
CAUSAS DE MORTE NOS FILHOTES
Quando os filhotes morrem até ao terceiro dia, normalmente é porque os pais não os alimentam suficientemente bem, e vão enfraquecendo,a cabando por morrer nos três primeiros dias.
Daí ser sempre conveniente, no mínimo, observar de manhã, por volta das 8 horas se já têm o papo cheio, se não teremos que lhes dar a comida. Também é conveniente verificar por volta das 12 ou 13 horas, idem, depois pelo menos à noite, antes cerca de uma hora das luzes se apagarem, ou no caso de ser iluminação natural, antes do anoitecxer, que é para eles não passarem a noite toda sem nada no papo. Quando os pais não os alimentam, deveremos dar papas de 2 a 3 horas de intervalo no máximo, nos primeiros 5 dias. É que normalmente após uns dias de termos colaborado na alimentação dos filhotes, entretanto estes já ganharam força suficiente para pedirem a comida aos pais, passando estes a alimenta-los convenientemente. Também, será oportuno lembrar que nesta altura a iluminação deverá ter a duração pelo menos de 15 horas, das 6:30h da manhã, as 21:30 horas da noite.
Existem no mercado especializado, papas próprias para a cria à mão, por palito ou através de seringa, devendo no entanto escolher-se a mais adequada ao tipo de raças que estamos a criar.
A título de exemplo lembro que o valor protéico das papa terá que variar conforme os tamanhos das raças, assim dou alguns exemplos, raças de pequeno porte, como: os Canários de cor, Glosters, fife-Fancy e Lizards, necessitam até ao trinta dias de papas (quer de cria à mão, quer de comedouro), com um valor protéico bruto de aproximadamente 26%. Para canários de médio porte, como: Border, Norwich e Frizado do Sul, cerca de 29%, para grande porte, como: Crest, Yorkshire, Frizado do Norte e Pduano, cerca de 32%, e para raças gigantes, como o: Lancashire e Frizado Parisiense, 38% de proteína bruta. É claro que não encontrará papas no mercado com todas as características, pois ficam muito mais caras, devo dizer que a papa que eu utilizo para os meus Parisienses, deverá juntar à papa de cria à mão Proteínas vegetal e animal, ou seja, por exemplo de soja e lactoalbumina, que contém todos os aminoácidos necessários ao desenvolvimento, devendo ser equilibrada em 45% de proteína vegetal: 55% de proteína animal, acompanhadas de fosfato bicalcico, para um melhor desenvolvimento ósseo.
Nesta altura a Gordura bruta deverá ter um valor máximo de 8%, os minerais que na vida normal são de 3%, nesta altura terão de triplicar, as fibras e cinzas na ordem dos 3%. É conveniente entre a mistura que se fornece a os papas, os Hidratos de Carbono andarem pelos 58 a 60%, o que quer dizer que não se deve fornecer muita aveia juntamente com o alpiste, pois torna-se muito indigesta.
A ambas as papas deveremos juntar um Probiótico à base de lactobacilos, para reposição constante de flora intestinal, e um antibiótico leve, próprio para crias, para prevenção de doenças intestinais. A papa de cria à mão normalmente só é utilizada durante os primeiros 8 a 10 dias, pois a partir dessa altura não a aceitam mais, daí, na papa que se coloca no comedouro para os pais a fornecerem aos filhotes, deverá continuar a possuir as qualidades protéicas e todas as outras acima referidas, pelo menos nos primeiros 30 dias de vida.
Se morrerem após o quinto ou sexto dia, é bem mais grave, pois se passam os 3 primeiros dias, não se trata de falta de alimentação, mas sim de doença, pois, muito embora eles possam morrer em estado de eventual magreza, deve-se ao fato de estarem doentes e os pais ao constatarem isso, na maioria dos casos acabam por lhes deixar de dar comer.
Normalmente a doença que aparecer entre quinto e o décimo segundo dia é a Colibacilose, originada pela bactéria Ech.Coli, que é a que mais mata no ninho, a par eventualmente da Proventiculite.
Se os pais estão aparentemente bem, é Colibacilose. Se os pais estão um pouco abatidos, a ficar gradualmente magros, é bem pior, é Proventriculite, e esta doença praticamente não tem cura.
Vamos começar pela hipótese da Colibacilose; A colibacilose normalmente tem duas vertentes que atacam ao mesmo tempo, que é a de via intestinal e a de via respiratória, daí há necessidade de efetuar um tratamento, 5 dias antes da previsível postura (este tratamento põe-os imunes durante 15 dias a 3 semanas), com um antibiótico que possua a capacidade de prevenir a Colibacilose, Coccidiose, Salmonelose e Micoplasma, que normalmente será necessários associar-se dois antibióticos, que sejam compatíveis, administrar pelos menos 5 dias, sempre com complexo vitamínico-mineral-aminoácido.
Tal como outros grandes criadores nacionais e estrangeiros, eu não aconselho dar legumes na época das criações, pelo menos nos primeiros dias pois embora sejam muito apetecíveis, são a causa da origem da salmoneloses e colibaciloses, já que ou estão mal lavados, ou demasiado indigestos, face à fermentação, para além de nos canários de porte ser um fator de fraco desenvolvimento. Eu próprio não dou legumes aos meus canários há três anos, e tenho casais a criar desde 1995, que nunca estiveram doentes. Claro que, os legumes são ricos em minerais e sódio, que tudo isto é facilmente substituível com um complexo multimineral (eu utilizo um à base de extratos de algas). O sódio resolveremos com uma colher de sopa de sal de cozinha, por cada quilo de papa. O sódio é importante porque evita o picacismo e canibalismo. Quanto à fruta, nesta altura não dar mais que um pouco de maçã e ou cenoura cortada e não ralada, pois a cenoura ralada azeda e fermenta de imediato, uma vez por semana.
Dar menos sementes negras (gordas) e mais papas, devendo 15 dias antes das criações dar dia sim dia não, dar todos os dias durante a época da postura, parar na incubação e recomeçar a dar 2 dias antes do filhotes nascerem, a partir daí dar todos os dias até à sua separação, entretanto os pais no novo ciclo da incubação, continuando os filhotes com papa diária até os 45 dias, retomando depois uma alimentação normal.
Se a papa é de molhar, nunca deve ficar de um dia para o outro, e se a umidade da papa é grande, e a umidade ambiente é mais de 60%, deverá estar disponível para os canários no máximo 2 horas.
À noite convém deixar a chamada papa úmida (de ovo), e para a enriquecer um pouco, deverá juntar-se lhe papa úmida de insectívoros, pois tem mais proteína.